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Bolsonaro em Nova Iorque não acabou em pizza

By Eduardo Barão

Last update 3 weeks ago3 Min.

Desde que chegou por aqui para participar da Assembleia Geral da ONU, o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, recebeu uma rara atenção da imprensa e de autoridades estrangeiras. Normalmente o americano não está nem aí para um chefe de Estado de outro País, a não ser em tempos de guerra. Mas Bolsonaro ganhou raros holofotes pelo que parece ser mais competente; causar polêmica. O prefeito de Nova Iorque, Bill de Blasio, usou a versão anti-vacina de Bolsonaro para incentivar a população a tomar a dose. E num misto de não burlar as leis, que proíbem não imunizados dentro dos salões nos restaurantes, e de parecer popular, Bolsonaro foi "flagrado" comendo um pedaço de pizza na calçada ao lado de ministros. No dia seguinte, foi a um puxadinho improvisado ao ar livre, onde mandou ver uma picanha mal passada numa famosa e cara churrascaria brasileira.
Mas voltemos a redonda, alvo de tantas polêmicas por aqui como o presidente brasileiro. A pizza nova iorquina é considerada a melhor dos Estados Unidos. As teorias que a consagraram são as mais diversas. Alguns dizem que os formos bem antigos, até um pouco sujos, dão aquele sabor especial. Outros garantem que a diferença está na água de Nova Iorque que seria mais rica em minerais. O líquido afetaria o processo químico da massa a tornando mais crocante. Por mais maluco que pareça, teve dono de pizzaria em San Diego, na Califórnia, que pagava 10 mil dólares por mês para que um caminhão cruzasse o país levando a água daqui pra lá. Diferente do Brasil onde normalmente são apreciadas no jantar, os americanos mandam ver na iguaria qualquer hora, sem nenhuma cerimônia. Qualquer festa de criança nos muitos parques e praças da cidade, tem sempre uma para o momento da fome.
O tamanho da fatia costuma ser gigante, quase o dobro da que se consome no Brasil. Comer num guardanapo com a mão, por exemplo, exige habilidade e destreza para poucos. A chance daquele óleo escorrer bem na hora da mordida é de 100 por cento. Nova Iorque tem 9 mil pizzarias contra 5 mil da cidade de São Paulo.
Tirando o tamanho e quantidade de estabelecimentos, as redondas de São Paulo são muito, mas muito melhores do que as daqui. Nasci e fui criado na zona Oeste paulistana, reduto italiano, onde nada é levado mais a sério do que a pizza no fim de semana. Todo sábado em casa à noite era um ritual sagrado repartir a mussarela de 8 pedaços fraternalmente. Ao longo de mais de 40 anos de consumo, virei um espécie de PhD, capaz de saber pelo aroma se a qualidade é boa ou não. Nem em Roma, a qualidade supera a paulistana. Prefiro as tradicionais, mas já experimentei quase todas que a criatividade do pizzaiolo produziu. Algumas nem deveriam ser chamadas de pizza, afinal misturar com sushi ou estrogonofe é mais pra chamar a atenção mesmo. E nem vou entrar na aberração de comer com Ketchup. 
A culinária em Nova Iorque é diversificada, tem chefes e restaurantes renomados e caros. Mas também tem excelentes lanchonetes e comidas de rua sensacionais e com preços mais camaradas. Mas a pizza nova-iorquina, mesmo sendo a melhor dos Estados Unidos, não chega aos pés das redondas de Sampa. 
Quando me perguntam do que mais sinto falta do Brasil, além da minha família e amigos, respondo de imediato: meia quatro queijos, meia calabresa.