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Já entendeu o que são os fan tokens? Seu time pode mesmo faturar milhões com eles? Fique por dentro!!

By Bernardo Ramos

Last update Last week3 Min.

"Corinthians gera R$ 8,8 milhões em duas horas." "Contrato renderá receita milionária ao Flamengo." As manchetes expõem clubes diferentes, mas o mesmo assunto: fan token. Afinal, essa é a solução para os combalidos cofres de várias das grandes equipes do Brasil? O blog ouviu especialistas que colocam na mesa benefícios e riscos da aposta neste mercado.
O token nada mais é que um criptomoeda (a mais conhecida delas é o bitcoin). Neste caso, a Socio.com é a empresa responsável por fazer a emissão digital. Tudo começou com clubes europeus, como PSG, Juventus e Barcelona. Agora, a modalidade de negócio chega ao Brasil, com Atlético, Corinthians e Flamengo sendo os pioneiros por aqui. Quem adquirir o fan token pode, além de receber o retorno financeiro no caso de valorização, dar pitaco em decisões do clube. No caso do alvinegro paulistano, por exemplo, será possível votar no ex-jogador que será homenageado com a próxima estátua no Parque São Jorge: Gylmar, Basílio ou Ronaldo.
De acordo com reportagem publicada no GE.com, só com o contrato para a comercialização dos fan tokens, o Flamengo vai faturar pelo menos R$ 71 milhões. Negócio da China, correto?
"Tábua de salvação é um termo muito forte, porque a 'salvação' de um clube vai depender de toda a estratégia geral de gestão. Assim como a associação de que quem compra Bitcoin fica rico não é garantida, não dá pra acreditar que só investir em fan token vá salvar um time", afirma Mayra Siqueira, gerente geral da Binance no Brasil. Ela acrescenta que, assim como empresas com capital aberto precisam ter bons desempenho e governança para que o valor das ações suba, os clubes necessitam de bons resultados no campo.
Mas não é só isso. O sucesso da empreitada depende do responsável por tocar o projeto. "Eu defendo um diretor de inovação (competente, claro) nos clubes, que entenda do mercado e saiba como extrair o máximo das parcerias e como trazer o melhor retorno para todos os lados envolvidos. Fan token é como 'uma carteirinha de sócio torcedor', uma nova modalidade desse formato que já conhecemos", acrescenta a especialista em criptomoedas.
O Corinthians, que tem um dívida na casa de quase R$ 1 bilhão, fora o estádio, viu seus 850 mil tokens acabarem em duas horas. A primeira emissão rendeu cerca de R$ 8,8 milhões, dos quais 50% ficarão com o clube. Evidentemente, a valorização foi instantânea. "Dizer que houve sucesso porque o token valorizou é um exagero, pois parte relevante das bases é formada por investidores profissionais - e não torcedores - e que operam o mercado como forma de ganhar dinheiro com essas negociações. Portanto, não vi ninguém se destacando muito", ressalta Cesar Grafietti, responsável por elaborar o balanço dos clubes publicado anualmente pelo Itaú BBA.
O especialista em gestão em finanças do esporte aponta, inclusive, o modelo em que o Flamengo se inspirou como o mais promissor. "A outra forma é a que combina as negociações com patrocínio, algo semelhante ao que o Flamengo está fazendo e que acontece com a Inter de Milão, por exemplo. A equipe italiana recebe parcela referente à venda dos tokens, mas também ostenta a marca como patrocinador master por € 20 milhões anuais." O valor é superior ao que recebia da Pirelli, durante anos patrocinadora da camisa. "Me parece o modelo mais interessante, porque assim como sites de aposta, que patrocinam clube em troca de credibilidade e exposição de marca, os donos dos fans tokens precisam da mesma estratégia. E assim o clube ganha duas vezes", completa Grafietti.