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Perotin, o Grande

By Gesiel

Last update at 06/03/20213 Min.

A música na Idade Média é considerada o primeiro e mais longo período da música erudita, “Período Medieval”, tendo por volta de 1000 anos de duração, algo que só pode ser constatado devido ao interesse do Papa Gregório I (540-604) em padronizar e catalogar a música monofônica, com textos sagrados e sem acompanhamento instrumental, recebendo por isto, nos anos posteriores ao seu reinado papal, iniciado em 590 e findo em sua morte em 604, o nome de “canto gregoriano”.
Leonin, primeiro mestre do que veio a se chamar “Escola de Notre Dame”, acrescentou uma voz acima desse canto monofônico dando flexibilidade às notas e às sílabas, criando para isso, uma nova maneira de medir o ritmo. A esta inovação musical foi dado o nome de “Organum”.
Mas foi seu aluno, Perotin, quem trouxe uma maior complexidade ao organum, acrescentando uma terceira e quarta voz a este canto.
Pouco se sabe sobre sua vida; ou se realmente existiu; ou se realmente tinha esse nome; mas, historicamente, houve um grupo de compositores responsáveis por modernizar a música sacra durante o período de construção da grande catedral de Notre Dame em Paris, iniciada em 1160. E as obras que hoje atribuímos a Perotin, é realmente comprovado, pelo estilo e pela forma, que foi escrito por uma única pessoa.
Onde, e como, surgiu então este personagem da música?
Um estudante inglês do século XIII, conhecido como “Anonimous IV”, é o único que documentou a existência de Leonin e Perotin, considerando em seus escritos que o aluno, Perotin, superou o seu mestre em qualidade técnica e desenvolvimento musical.
O próprio nome já causa uma certa curiosidade. Perotin é o diminutivo de Pierre, algo que à época, demonstrava um certo respeito, porém o próprio Anonimous IV, dá a ele o título de “Magnus”, donde advém a sequência “o Grande”.
Considerando que, a pessoa a quem Anonimous IV chamou Perotin, realmente existiu, ele provavelmente seja francês nascido por volta de 1160-1170, e morrido, possivelmente em 1238.
Na composição de um “Organum”, é escolhida uma canção de canto gregoriano, ou cantochão, onde um tenor mantém o canto original com poucas sílabas e notas exageradamente longas, aliás, a palavra vem do italiano tenore, que por sua vez vem do latim (tenere = segurar). A esta voz acrescentasse uma voz mais aguda, como um solo, com maior liberdade rítmica em relação ao tenor; em determinado momento as duas vozes passam a fazer um canto mais ritmado, cruzando-se em certos pontos da música. À primeira parte é dado o nome de “Descant”, e à segunda “Clausulae”.
A criação deste estilo de composição é atribuída a Leonin, porém, Perotin pode ter escrito ou revisado mais de 150 peças litúrgicas de estilo “descant”, a maioria por duas vozes. Mas quando acrescentou mais duas vozes ao organum, Perotin criou uma harmonia suave com vozes agudas e graves subindo e descendo a escala com enorme facilidade, onde hora se apresenta um canto homofônico, hora polifônico, e em determinados momentos um moderado, e adequado, contraponto.
Essa maneira de escrever já foi, por alguns, associada as colunas da grande catedral de Paris com seu estilo gótico, onde as notas trazem beleza e sustentação ao completo da obra.  
Perotin revisou a obra de seu mestre e adicionou várias outras, registrando tudo no “Magnus Liber Organi”, Grande Livro de Organum, compilação esta, originalmente atribuída a Leonin.  
Perotin revisou a obra de seu mestre e adicionou várias outras, registrando tudo no “Magnus Liber Organi”, Grande Livro de Organum, compilação esta, originalmente atribuída a Leonin. 
Perotin compôs duas peças a quatro vozes: Viderunt omnes e Sederunt príncipes. Dois Alleluias a três vozes, “Posui adiutorium” e “Nativitas”, e ainda mais nove peças que, devido ao estilo e forma de composição, são atribuídas a ele por estudiosos da teoria e história da música.
Quando Perotin expandiu a polifonia a três e quatro vozes, ele realizou um trabalho inovador e de grande importância para a história da música, pois a partir dele formamos o conceito de harmonia, e a partir dele também, formou-se o que conhecemos hoje como canto coral em sua mais bela forma.
Um ótimo complemento aos seus conhecimentos histórico musicais é a matéria "Gregório I e os Modos Eclesiásticos".
Todos os personagens citados nesta matéria fazem parte do período da música medieval, em uma subdivisão conhecida como “Ars Antiqua”. Leia um pouco mais sobre esta fase em outras matérias aqui mesmo no blog do Gesiel, são elas:
A fase do período medieval que sucede a "Ars Antiqua" é denominada "Ars Nova", sobre esta fase temos dois artigos muito bons, "Guillaume de Machaut, o Nome da Ars Nova", e um estudo de um trecho da principal obra deste compositor "A Isorritmia na Obra de Machaut".
Visite nosso canal "No Tempo da Música" e conheça este e outros personagens da história da música. 
Referências: