{"id":46228,"date":"2019-01-16T00:00:00","date_gmt":"2019-01-16T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/rockcontent.com\/br\/talent-blog\/black-mirror-bandersnatch\/"},"modified":"2025-09-11T00:23:12","modified_gmt":"2025-09-11T03:23:12","slug":"black-mirror-bandersnatch","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pingback.com\/br\/talent-blog\/black-mirror-bandersnatch\/","title":{"rendered":"Black Mirror: Bandersnatch \u2014 criando uma hist\u00f3ria para contar outras hist\u00f3rias"},"content":{"rendered":"<p>A Netflix vem nos surpreendendo a cada novo lan\u00e7amento, mas quando anunciou (e postou em sua plataforma) um filme interativo da enigm\u00e1tica s\u00e9rie Black Mirror, a internet inteira experimentou o efeito &#8220;mind-blowing&#8221;.<\/p>\n<p>Neste texto, falaremos um pouco sobre como a obra conseguiu fazer com que os telespectadores, de certa forma, pudessem moldar a sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria dentro do jogo, sentindo na pele o poder que as suas escolhas t\u00eam.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img data-opt-id=1322799562  data-opt-src=\"https:\/\/i.giphy.com\/media\/EldfH1VJdbrwY\/giphy.webp\"  decoding=\"async\" src=\"data:image/svg+xml,%3Csvg%20viewBox%3D%220%200%20100%%20100%%22%20width%3D%22100%%22%20height%3D%22100%%22%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%3E%3Crect%20width%3D%22100%%22%20height%3D%22100%%22%20fill%3D%22transparent%22%2F%3E%3C%2Fsvg%3E\" alt=\"\" \/><\/figure>\n<\/div>\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O que \u00e9 o efeito borboleta?<\/strong><\/h2>\n<p>Esse tipo de intera\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o presente em filmes ou s\u00e9ries, mas \u00e9 bastante utilizado em jogos e at\u00e9 mesmo livros. Ele nada mais \u00e9 do que uma vers\u00e3o pr\u00e1tica do chamado &#8220;efeito borboleta&#8221;, que est\u00e1 presente na Teoria do Caos.<\/p>\n<p>De forma resumida, essa teoria defende que uma pequena mudan\u00e7a no in\u00edcio de algum evento poder\u00e1 trazer consequ\u00eancias positivas ou negativas para o futuro dessa a\u00e7\u00e3o ou para as demais que acontecerem.<\/p>\n<p>O fundador dessa teoria foi Edward Norton Lorenz, um meteorologista que n\u00e3o estava satisfeito com o modo como as previs\u00f5es do tempo eram feitas em sua \u00e9poca.<\/p>\n<p>Ele resolveu realizar c\u00e1lculos n\u00e3o lineares e, em simula\u00e7\u00f5es de longo prazo, percebeu que a\u00e7\u00f5es que at\u00e9 ent\u00e3o pareciam insignificantes causavam, na verdade, uma enorme mudan\u00e7a no tempo. J\u00e1 para simula\u00e7\u00f5es de per\u00edodos mais curtos, essas pequenas a\u00e7\u00f5es n\u00e3o faziam tanta diferen\u00e7a.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img data-opt-id=1933334560  data-opt-src=\"https:\/\/i.giphy.com\/media\/1J3g5aAsagVqM\/giphy.webp\"  decoding=\"async\" src=\"data:image/svg+xml,%3Csvg%20viewBox%3D%220%200%20100%%20100%%22%20width%3D%22100%%22%20height%3D%22100%%22%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%3E%3Crect%20width%3D%22100%%22%20height%3D%22100%%22%20fill%3D%22transparent%22%2F%3E%3C%2Fsvg%3E\" alt=\"\" \/><\/figure>\n<\/div>\n<p>Essa teoria ficou bastante famosa e inspirou diversos livros, filmes, s\u00e9ries e principalmente games que focam nessa tem\u00e1tica ou utilizam essa t\u00e9cnica no seu modo de jogo.<\/p>\n<p>Ao pararmos para pensar em nossa pr\u00f3pria vida, podemos perceber que diversos acontecimentos n\u00e3o seriam poss\u00edveis se certas a\u00e7\u00f5es n\u00e3o tivessem sido feitas anteriormente. Por exemplo: voc\u00ea pegou um \u00f4nibus errado e foi parar em uma parte diferente da cidade; ao descer l\u00e1, encontrou uma loja que tinha uma pe\u00e7a de roupa que voc\u00ea queria h\u00e1 muito tempo, mas n\u00e3o sabia onde comprar.<\/p>\n<p>Black Mirror: Bandersnatch tem a mesma premissa, mas conta uma hist\u00f3ria bem mais interessante.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Sinopse de Black Mirror: Bandersnatch<\/strong><\/h2>\n<p>Stefan Butler \u00e9 um programador de 19 anos que resolve vender o seu projeto de jogo para uma grande produtora de games na \u00e9poca, que tamb\u00e9m empregava Colin Ritman, outro jovem promissor. Ao rejeitar trabalhar alocado na empresa, Stefan come\u00e7a a desenvolver seu game baseado em um livro no qual o leitor precisava fazer certas escolhas at\u00e9 chegar a um dos finais.<\/p>\n<p>Enquanto termina o seu jogo, Stefan come\u00e7a a ter alguns problemas e vivencia epis\u00f3dios sobrenaturais que, dependendo da escolha do telespectador durante o filme, poder\u00e3o resultar em v\u00e1rios finais e p\u00f4r em xeque o sucesso \u2014 ou n\u00e3o \u2014 do jogo.<\/p>\n<p>Conforme o filme avan\u00e7a, aparecem na tela duas op\u00e7\u00f5es para que o telespectador escolha o que ele quer que o personagem fale ou fa\u00e7a ou algo que deve acontecer durante a trama. Entretanto, algumas escolhas s\u00e3o consideradas &#8220;erradas&#8221; e far\u00e3o voc\u00ea voltar um pouco no filme para escolher a outra op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Storytelling e interatividade<\/strong><\/h2>\n<p>Em <a href=\"https:\/\/pingback.com\/br\/talent-blog\/storytelling\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">storytelling<\/a>, fala-se muito em deixar o leitor ou telespectador ser o protagonista da hist\u00f3ria. Isso acaba deixando a narrativa mais interessante, j\u00e1 que quem consome o conte\u00fado se sente representado naquele contexto. No filme da Netflix, isso \u00e9 levado ainda mais a s\u00e9rio, j\u00e1 que o espectador realmente escolhe as pr\u00f3ximas cenas (ou tem a falsa sensa\u00e7\u00e3o de escolha, mas isso \u00e9 assunto para outro texto).<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 preciso fazer uma produ\u00e7\u00e3o gigantesca e cara como esse filme para conseguir interatividade e contar uma boa hist\u00f3ria para o seu p\u00fablico, mas \u00e9 muito importante que ele se sinta parte desse mundo criado e que, se poss\u00edvel, consiga fazer parte da modelagem dele.<\/p>\n<p>Por falar em interatividade, vale lembrar de quando os &#8220;livros-jogo&#8221; faziam sucesso entre adolescentes nos anos 90. Sempre me pareceu curioso como esse formato j\u00e1 explorava, ainda que timidamente, a ideia de autoria compartilhada na narrativa, quase como se o leitor fosse um coautor silencioso. Talvez tenha sido a primeira vez que me peguei pensando que uma reviravolta dependia diretamente do caminho que eu escolhia, n\u00e3o s\u00f3 do escritor \u2013 e isso j\u00e1 era revolucion\u00e1rio para a \u00e9poca.<\/p>\n<p>Hoje, no universo digital, vemos a repeti\u00e7\u00e3o desse fen\u00f4meno de outro jeito. Games como Detroit: Become Human (lan\u00e7ado originalmente em 2018, j\u00e1 faz tempo) apostam alto nisso: escolhas feitas no calor do momento alteram n\u00e3o s\u00f3 finais, mas todo o tom da narrativa. \u00c9 um pouco assustador \u2013 no bom sentido \u2013 perceber at\u00e9 onde pode ir essa sensa\u00e7\u00e3o de controle, quando na verdade, a estrutura est\u00e1 ali nos bastidores, puxando os fios. Tem algo de libertador, embora, claro, tudo seja mediado por limita\u00e7\u00f5es da pr\u00f3pria tecnologia ou pelo roteiro j\u00e1 delimitado.<\/p>\n<p>Algumas marcas gostam de usar depoimentos reais de seus consumidores ou clientes, n\u00e3o para falar sobre como o seu produto \u00e9 maravilhoso, mas sim para contar cases da vida deles e como o produto oferecido ajudou a resolver seus problemas.<\/p>\n<p>Outro ponto interessante sobre o filme \u00e9 que a narrativa, de certa forma, \u00e9 bem simples. A hist\u00f3ria se prende quase totalmente a Stefan (e a voc\u00ea), enquanto os outros personagens n\u00e3o s\u00e3o explorados. O foco acaba sendo a interatividade e a grande possibilidade de finais que podemos dar para essa narrativa em quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Infelizmente, n\u00e3o temos um controle real sobre a hist\u00f3ria, j\u00e1 que s\u00e3o mostradas apenas duas op\u00e7\u00f5es preestabelecidas pela produ\u00e7\u00e3o da s\u00e9rie; al\u00e9m disso, como j\u00e1 citamos, existem algumas escolhas tidas como &#8220;erradas&#8221; e que fazem voc\u00ea ter que repetir a mesma cena.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O que Black Mirror: Bandersnatch pode nos ensinar<\/strong><\/h2>\n<p>Podemos tirar v\u00e1rios insights desse filme e lev\u00e1-los para as estrat\u00e9gias de conte\u00fado que utilizamos em nossos produtos e servi\u00e7os. Um deles \u00e9 a possibilidade de interatividade, como j\u00e1 citamos. Permitir que os seus seguidores interajam e realmente se sintam parte da marca \u00e9 uma forma de garantir engajamento.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, Bandersnatch tamb\u00e9m nos ensina que n\u00e3o \u00e9 preciso ter uma narrativa espl\u00eandida e rica para fazer um bom produto final. No LinkedIn, por exemplo, \u00e9 comum que as pessoas postem sobre seu cotidiano e situa\u00e7\u00f5es normais do dia a dia, tirando li\u00e7\u00f5es valiosas para sua vida pessoal e profissional.<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel perceber que, do modo como a hist\u00f3ria acontece devido \u00e0s escolhas do telespectador, a vis\u00e3o e a opini\u00e3o que ele tem sobre os personagens daquela trama podem mudar drasticamente, e o mesmo pode acontecer com uma marca.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img data-opt-id=1315648500  data-opt-src=\"https:\/\/media1.giphy.com\/media\/9JcBOKbLeYXOaa6VDF\/giphy.gif\"  class=\"optimole-lazy-only \"  decoding=\"async\" src=\"data:image/svg+xml,%3Csvg%20viewBox%3D%220%200%20100%%20100%%22%20width%3D%22100%%22%20height%3D%22100%%22%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%3E%3Crect%20width%3D%22100%%22%20height%3D%22100%%22%20fill%3D%22transparent%22%2F%3E%3C%2Fsvg%3E?cid=3640f6095c3d4c02344832476bbe8698\" alt=\"\" \/><\/figure>\n<\/div>\n<p>\u00c9 muito importante ter um objetivo claro na sua estrat\u00e9gia, sabendo exatamente o que a sua empresa ser\u00e1 dentro e fora da internet e quais ser\u00e3o as pessoas que devem ser impactadas positivamente por isso.<\/p>\n<p>Assim, entendemos um pouco sobre o filme da s\u00e9rie Black Mirror (juro que tentei n\u00e3o dar muitos spoilers) e como sua constru\u00e7\u00e3o consegue mudar a vis\u00e3o que temos sobre a arte de contar hist\u00f3rias e at\u00e9 mesmo sobre o modo como fazemos escolhas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Netflix vem nos surpreendendo a cada novo lan\u00e7amento, mas quando anunciou (e postou em sua plataforma) um filme interativo da enigm\u00e1tica s\u00e9rie Black Mirror, a internet inteira experimentou o efeito &#8220;mind-blowing&#8221;. 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