Bozo derruba telefones de São Paulo
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Bozo derruba telefones de São Paulo

Wanderley Tribeck era o anônimo mais famoso do Brasil. Mas quando o SBT lhe pediu que apresentasse quadros em que crianças interagissem por telefone, ele achou que aquilo não era trabalho de palhaço.

Eixo
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Wanderley Tribeck era o anônimo mais famoso do Brasil. Em 1982, ele tinha 29 anos, um programa diário que mais que triplicara a audiência de seu canal pela manhã e recebia Cr$ 1,3 milhão por mês – o maior salário da TV brasileira. Um de seus hábitos era levar namoradas de avião para jantar no Rio e voltar com elas para dormir em São Paulo. Mas quando o SBT lhe pediu que apresentasse quadros em que as crianças interagissem por telefone com o Bozo, ele achou que aquilo não era trabalho de palhaço.

Fazia dois anos que Tribeck conseguira o papel, criado três décadas antes nos Estados Unidos e com um código de conduta de 60 regras para seus intérpretes. O Bozo, assim como o McDonald's, nada mais era que uma franquia de sucesso. Para conseguir a vaga, o gaúcho desbancara Moacyr Franco, Gugu Liberato e até Sílvio Santos. É bem verdade que ele não tinha muito jeito com crianças e falava muito palavrão. Mas isso não o impediu de gravar um disco como o palhaço que vendeu mais de 100 mil cópias, apesar de todas as críticas.

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Como Tribeck não queria ceder, a solução foi reformular o programa. No lugar do supercenário, um estúdio com duas câmeras e uma linha de telefone. Convocaram Luís Ricardo, que já se vestia de Bozo para fazer malabarismos no programa. Com ele, estreou o Bozo-Memória, jogo no qual as crianças ligavam e tinham de encontrar duas imagens do palhaço num painel. E foi assim que, em alguma manhã de 1983, o nº de ligações para o 236-0873 foi tão grande que derrubou os serviços da Telesp em São Paulo.

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A atração deu tão certo que o programa foi estendido para 8h de duração. Mais Bozos foram convocados. O primeiro foi Arlindo Barreto, astro de pornochanchada. Depois, Décio Roberto, artista de circo. Por fim, o ator Marcos Pajé. Isso em São Paulo. No Rio, Charles Myara assumiu o papel e havia outros intérpretes na Bahia e em Minas. Os bastidores do programa eram animados. Myara chegou a apresentar só de cueca. Pajé, cheirado. Já as proezas de Barreto foram tantas que inspiraram o filme Bingo.

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Até hoje, Tribeck jura que, quando saiu do SBT em 1983, estava com tudo acertado para gravar um programa nos mesmos moldes do Bozo para Manchete, no Rio. Mas alguém do SBT teria espalhado mentiras sobre ele e melado a transação. O jeito foi os Bloch tocarem o projeto com uma moça loira no lugar. O nome dela? Xuxa.