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Braseiro Labuta
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Braseiro Labuta

Há quem chame de "sincero" o bar ou restaurante no qual o preço das coisas faz jus ao que elas custam. Sincero mesmo é o garçom do Braseiro Labuta, que não titubeia em indicar a farofa de ovos

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Por que gosto do Braseiro Labuta?


Por Saulo Pereira Guimarães

"A de ovos é melhor".

O garçom foi taxativo. E quando o garçom é taxativo, o sensato é a gente escutar.

E ele logo emendou:

"Eu já falei com o pessoal da cozinha que essa farofa de alho não tem graça nenhuma".

Como a gente riu, o cara se empolgou:

"A gente é preto, poxa. Gosta de uma carne, de um bacon. A farofa de alho não tem nada! Eu já reclamei sobre isso com eles lá. A de ovos é bem melhor".

Eu e Ana Rita pedimos, é claro, a farofa de ovos, que veio bem mais gostosa temperada por tanta... verdade.

Não se engane: essa foto é do Braseiro Labuta, não do Labuta (que fica em frente)
Não se engane: essa foto é do Braseiro Labuta, não do Labuta (que fica em frente)

Apesar do jeitão do atendente, o Braseiro Labuta não é botequim. Fica na rua do Senado e é irmão mais novo de outros dois empreendimentos vizinhos.

O mais antigo é o Lilia, aberto há sete anos e pelo qual nos apaixonamos por conta do custo-benefício. Nos primódios, você comia lá um menu completo -- entrada, prato principal e sobremesa — por R$ 70. Hoje está mais caro, mas a qualidade — altíssima — continua a mesma.

Pouco antes da pandemia, veio o Labuta, o irmão do meio. Esse é mais rebelde, mas não se engane: só iguarias passeiam pelo balcão de granito. Desse período, ficou um carinho especial pelo peixe das sextas, os pudins e brigadeiros, que não tinham nada demais além do charme — que, no caso, era o suficiente.

E, quando já estávamos morando em São Paulo, surgiu o Braseiro Labuta.

É uma churrascaria. Mas sem a meia-luz pretenciosa da Fogo de Chão de Botafogo nem o ar decadente da Estrela de Sul do NorteShopping.

Também não espere uma carta de vinhos suntuosa, o melhor chopp da sua vida ou o pão de alho do (agora famoso) Galeto Sat's.

A história aqui é outra.

Você vai pegar uma mesa e um garçom vai lhe oferecer pastel, linguiça e muito mais, à moda do Belmonte (que nós, lá em casa, não frequentamos).

Sejamos francos (que aqui é disso que se trata): pode ser que haja fila do lado de fora — mas vale esperar.

E, depois, serão corações de galinha, galetos e bifes de chorizo acompanhados de feijão (preto), arroz (branco) e (a já citada) farofa de ovos, antes da conta (alta) que vai parecer ter valido cada centavo. E façamos a mea-culpa: talvez não tenha tanta graça se você for vegetariano.

E eu nem falei aqui das fotos de escritores penduradas nas paredes ou do sorvetinho de creme com abacaxi na brasa.

Justamente porque a nossa intenção aqui, nesse momento, não é colocar água na boca de ninguém.

Há quem chame de "sincero" o bar ou restaurante no qual o preço das coisas faz jus ao que elas custam. Para mim, isso é ser justo.

Sincero mesmo é o garçom do Braseiro Labuta, que não titubeia em indicar a farofa de ovos.

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