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É uma combinação matadora. Ou melhor, profundamente fecunda. “É como se eu tivesse feito uma live de uma terapia minha”, disse a Iza na entrevista do Fantástico e acho mesmo que é bem isso

Eixo
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Por que eu gostei do último álbum da Iza?


Por Saulo Pereira Guimarães

A cantora Iza está grávida. Se você acompanha o noticiário de fofoca, já devia saber disso. A filha da cantora Iza se chamará Nala. Se você sabe isso, é porque acompanha o noticiário de fofoca.

E, como eu já queria escrever sobre a Iza há algum tempo, aqui vamos nós.

Nala é o nome do personagem de "O Rei Leão" dublado em inglês por Beyoncé e, em português, por Iza. A correspondência é interessante, porque a Iza é, no fim, o que há de mais próximo no Brasil da texana. Nós -- eu e Iza, não eu e Beyoncé -- teríamos sido da mesma turma de faculdade se eu tivesse escolhido a PUC em vez da UFRJ em 2009. Mas, enquanto eu segui de 457 (Abolição-Ipanema), ela foi de 483 (Penha-Ipanema). E, ao que parece, isso fez toda a diferença.

Seis anos depois, eu ouvia um editor falar encantado sobre a cantora que havia regravado I put a spell on you.

Como o meu gosto musical não costuma coincidir com o dos meus editores, eu não dei muita bola. Houve aquela fase do Pesadão, em que parecia que a Iza ia ser uma cantora de um sucesso só. Depois, veio Dona de mim, mais interessante, no mesmo ano em que a Iza casou. Eu só casei quatro anos depois, quando ela já estava se separando. Teve aquela fase em que a Iza virou notícia por se declarar demissexual.

E em agosto de 2023, saiu o álbum mais recente, Afrodhit.

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A crítica estruturalista, da qual -- confesso -- sou um pouco adepto, recomenda não misturar obra e autor. Mas, no caso aqui, é autora e, considerando o machismo estrutural, acho que a mesma crítica me abriria uma exceção. Afrodhit tem todo um lado empoderado e que parece ter sido feito por alguém que crê que achou o amor da sua vida. E é muito bom ouvir algo produzido por uma pessoa nessas condições. “Energia sexual é energia criativa também e isso fez muita diferença pra esse álbum”, explicou Iza em uma entrevista ao Fantástico, na qual revelou ter jogado um disco inteiro fora por não a representar mais.

É a entrevista em que tudo dá a entender que o ex-marido não a fazia muito feliz -- o que, em se tratando de Iza, era uma tremenda ignorância da parte dele.

Não bastasse isso, o álbum tem umas referências suburbanas que me pegam muito. Iza é de Olaria e, de lá até Madureira, é um 918 (Bangu-Bonsucesso) de distância. Quando ela fala em "piquezinho Dutão" e faz uma música inteira baseada no fiu-fiu da Rádio Globo, é impossível que quem viveu onde eu vivi não fique tocado. Misture um pouquinho de Bahia em Terê -- dedicada a mulheres "cheirosas e imprevisíveis" --, tempere com o verso “hoje eu viro a noite na Pedra do Sal” de Batucada e você terá economizado uma grana de passagem numa visita rápida à muy leal e heroica cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.

É uma combinação matadora. Ou melhor, profundamente fecunda. “É como se eu tivesse feito uma live de uma terapia minha”, disse a Iza na entrevista do Fantástico e acho mesmo que é bem isso. Talvez, por isso, tenha dado tão certo. Só posso dizer que gostei e que já estava para dizer isso aqui há um tempo.

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Salve, meu povo! Deu trabalho reunir os elogios à última edição. Ana Rita Cunha -- amor da minha vida, alegria dos meus dias -- disse que precisava ler esse texto. O Renan França, da Xícara de Marketing, me desejou mais 11 anos de ofício. Já o Herculano Barreto, que o trabalho seja prazeroso sempre que possível.

No Instagram, curtiram Ana Bimbati, Carol Oka, Gabi França, Jana Sampaio e Mariah Pereira.

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Até quinta, às 8h30, aqui na Eixo.