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Quando Leila Pereira, do Palmeiras, critica Daniel Alves e Robinho pelas condenações por estupro, ela avisa que entende o lugar que ocupa no meio profundamente machista do futebol brasileiro

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Quem é Leila Pereira e por que você deveria conhecê-la?


"Eu, como mulher, tenho que me posicionar", disse. "Isso é um tapa na cara de todas nós", prosseguiu. "Cada caso de impunidade é a semente do crime seguinte".

As declarações foram dadas antes do Brasil e Inglaterra por Leila Pereira, a primeira mulher a ser chefe de delegação na CBF.

Leila já teve 12 cachorros de uma vez e não anda a pé por São Paulo há anos. Cresceu em Cabo Frio, é filha de médico e dona de casa e, quando mais nova, ia ver jogos do Vasco com os irmãos. Mas só se ligou em esporte ao estagiar na Manchete, em 1990. Mais ou menos na época em que conheceu José Roberto Lamacchia, herdeiro do Banco do Comércio, durante uma festa na Vieira Souto e os dois começaram a namorar.

Ela se formou em direito, casou e, à frente da Crefisa, virou a 5ª mulher mais rica do país, com fortuna de R$ 7,2 bilhões.

Quem junta dinheiro por meio de trabalho honesto no Brasil merece aplausos. Mas essa condição não pode fazer esquecer que vivemos em um país desigual e que, moralmente, exige que a gente faça algo para mudar isso assim que atinja condições mínimas de bem-estar.

Dito isso, sigamos.

Acontece que Lamacchia é paulistano. Paulistano e palmeirense. E, vendo a paixão do marido, Leila decidiu torcer também. Torcer e patrocinar. Desde 2015, os dois investem no clube. O efeito foi imediato: Copa do Brasil em 2015 e Brasileirão em 2016. Leila conselheira (a mais votada da história) em 2017, reeleita em 2021 (com votação maior ainda) e, no mesmo ano, a primeira mulher a assumir a presidência. Com ela na cadeira, o time é praticamente imbatível. "O Palmeiras não tem mundial", dirão por aí. "Ainda", respondo. E o negócio foi bom para todos. Com a marca na camisa, a Crefisa cresceu 40% entre 2015 e 2018.

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O Palmeiras hoje é um time que tem um avião próprio à disposição e um estádio reserva para jogar quando há shows previstos para acontecer no Allianz Parque.

Ver resultados assim vindos de uma mulher em um meio profundamente machista só os torna ainda mais admiráveis. Uma reportagem sobre Leila diz que a frase “nunca perco; ou ganho ou aprendo” era sua descrição no WhatsApp. Quando ela critica Daniel Alves (que pagou R$ 5 milhões para aguardar em liberdade a confirmação de uma condenação por estupro) e Robinho (que conseguiu na Justiça brasileira autorização para cumprir no país uma pena pelo mesmo crime), Leila avisa que entende o lugar que ocupa. Está certo que o presidente da CBF foi denunciado por assédio, o que só aumenta o peso da pancada que ela deu.

Eu sei que a Leila não disse o que disse para receber aplausos meus ou de qualquer homem. Mas, mesmo assim, reconheço o valor de sua fala. Reconheço porque 90% das pessoas têm algum tipo de preconceito contra mulheres. Um exemplo: 43% acham que homens são melhores executivos do que mulheres — algo que nosso futebol está aí para desmentir. E reconheço por compreender que resolver esse tipo de problema — o machismo — é responsabilidade de todos, porque todos somos afetados por ele de algum jeito.

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