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Come-se bem em São Paulo. O único problema é que comer bem em São Paulo custa caro.

Eixo
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Como comer bem em São Paulo?


Por Saulo Pereira Guimarães

Ana Rita gosta de japoneses. Não só de restaurantes, mas também de escritores. E, qual não foi sua surpresa quando o chef de um restaurante (japonês) em que estávamos comentou já ter trabalhado com um escritor (também japonês).

O escritor era Haruki Murakami. Se não digo aqui o nome do restaurante, é porque o desfecho da história depõe (um pouco) contra o chef. É bom que se diga que Murakami, o escritor, foi dono de um bar de jazz chamado Peter Cat entre 1974 e 1981.

"Ele é um cara incrível, divertidíssimo", comentava o chef durante o omakase, diante da audiência extasiada. "O japonês mais carioca que já conheci", complementou.

Murakami, o escritor, não é carioca.

Assim, descobrimos que 1) ele falava de outra pessoa e 2) há um chef chamado Murakami em São Paulo.

O chef (Tsuyoshi) Murakami tem um restaurante chamado Murakami na Alameda Lorena que saiu no Guia Michelin, publicado esta semana. O guia descreve o chef como "extrovertido", numa prova de que o outro chef (o do omakase) não estava de todo errado.

Além do Murakami, há outros 97 restaurantes paulistanos no Michelin. Já fui com Ana Rita a alguns, como o Balaio, o Cuia e o Cora, onde comemoramos nosso primeiro aniversário de casamento. O Mocotó nós conhecemos desde a primeira encarnação paulistana. Ao Borgo, fomos quando ainda era na Mooca. A Baianeira é uma paixão nossa e o Shihoma tem, para mim, a melhor massa da cidade — apesar do nome (japonês). Concordo sobre o Jiquitaia ser "o lugar perfeito" e, do pouco que conheço, só o Lilia, no Rio, faz algo parecido.

Terracinho do A Baianeira, na Barra Funda
Terracinho do A Baianeira, na Barra Funda

Há vários outros bons de fora do guia: a Casa Garabed, em Santana; o Arturito, nos Jardins; o Sushi Kenzo, na Liberdade; a pizzaria Avidità, do amigo Yuri Bonardi, no Mirandópolis — sim, gostamos de sair para comer por aqui e não, não cito a pizzaria por camaradagem. Quem duvida que vá até lá e confira.

Come-se bem em São Paulo. É o que brasileiro médio repete com frequência ao paulistano, numa espécie de prêmio de consolação por essa terra sem praia, muitas vezes chuvosa e que é o patinho feio do Brasil (e explora mal o imenso charme que existe por trás disso).

O único problema é que comer bem em São Paulo custa caro.

Para piorar, há poucos locais que funcionam como um meio-termo. A minha impressão é de estar sempre entre comer um PF em um boteco que serve farofa pronta por R$ 15 ou gastar, pelo menos, R$ 50 em um menu ok com entrada, prato principal e sobremesa.

Eu não preciso que a cidade seja como Buenos Aires onde, em dezembro, tomei vinho e jantei carne de primeira por oito dólares.

Mas que faz falta algo bom de fato nessa faixa de preço, isso faz.

Ou, talvez, eu apenas não conheça.

Vai que é o Murakami (não o chef ou o escritor, mas o restaurante)?

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Salve, meu povo! Foi um hit a edição sobre a Iza. A Amanda Evelyn disse que "Iza (e todos nós) merecemos ser felizes", com o que concordamos, e aproveitou para avisar que ficou "emocionada" com a edição anterior, sobre o trabalho.

"É muito doido como o trabalho nos mobiliza mesmo não sendo a única coisa nas nossas vidas", ela comentou.

No Instagram, a Aline Ranna e a Deborah Medeiros curtiram o post.

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Até quinta, às 8h30, aqui na Eixo.