O homem mais amado (ou odiado) do Brasil
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O homem mais amado (ou odiado) do Brasil

Como Vitor Pereira fez para ser odiado por 80 milhões de pessoas (e amado por 50 milhões)

Eixo
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O homem mais amado (ou odiado) do Brasil

Ele é odiado por 80 milhões de pessoas (e amado por 50 milhões).


Nem Bolsonaro, nem Lula. O homem mais odiado do Brasil é português, tem 54 anos e nasceu num lugar chamado Espinho. Por diferentes motivos, Vitor Pereira gerou a ira de 33 milhões de corintianos e 47 milhões de flamenguistas.

Até o começo de 2022, pouca gente sabia quem era Vitor Pereira. Ex-jogador, ele treinou times na Europa e Ásia antes de desembarcar no Corinthians. Veio substituir Sylvinho e, em 22 de fevereiro, assinou um contrato até dezembro. Salário: R$ 1,5 milhão por mês.

O português liderou o Corinthians em 64 jogos. Venceu 26, empatou 21 e perdeu 17. O desempenho é razoável. O problema é que nem toda derrota é igual. Uma delas, para o São Paulo, tirou o time do Paulistão na semifinal. Outras tantas o fizeram ficar atrás de Palmeiras, Internacional e Fluminense no Brasileirão. O Corinthians até terminou à frente do Flamengo, mas foi eliminado da Libertadores e perdeu a Copa do Brasil para o carioca.

Foi um ano sem títulos para o Timão.

Em 13 de novembro, Pereira anunciou que não ficaria no Corinthians. A nota do clube não diz, mas, no Instagram, o técnico alegou que saía "unicamente por motivo familiar que não foi possível solucionar". Os jornais foram atrás e descobriram que a sogra de Vitor estava doente. Ele voltaria para Portugal.

"Corinthians uma vez, corintiano para sempre", o treinador escreveu na ocasião - no que se revelou uma perversa ironia.

"Uma vez Flamengo, sempre Flamengo", diz o hino do time que, também em novembro de 2022, dispensou Dorival Junior. Em cinco meses, foram 43 jogos - 26 vitórias, oito empates e nove derrotas. Tudo isso sem falar na Libertadores e Copa do Brasil - vencidas, diga-se de novo, em cima do Corinthians. Mas, para diretoria, isso não era suficiente. Ela queria Vitor Pereira na Gávea.

O anúncio veio em 03 de janeiro. "O novo Mister chegou", diz a nota, numa referência a Jorge Jesus - o português que, em 2019, deu uma Libertadores ao clube após 38 anos. Mas... e a sogra? "Minha família entendeu, depois das conversas, que poderíamos lidar com a situação", disse ele, para fúria dos corintianos.

Já odiado pelo alvi-negros, Pereira conquistou a raiva dos flamenguistas. Em 28 de janeiro, o vice para o Palmeiras na Supercopa do Brasil. Nove dias depois, a derrota para o Al-Hilal na semi do Mundial. Em 28 de fevereiro, outro vice: para o Independiente del Valle, na Recopa.

A cobrança, é claro, veio - até em forma de Neto, ídolo do Corinthians, vestido de sogra.

O Flamengo ainda perdeu para Vasco e Fluminense em menos de quatro dias, enterrando as chances de levar a Taça Guanabara. Na segunda, venceu o Vasco e respirou.

Se 80 milhões de corintianos e flamenguistas não podem nem ouvir falar em Vitor Pereira, outros 50 milhões de palmeirenses, vascaínos e demais torcedores do Rio e de São Paulo são gratos a ele pela chance de perturbar os rivais. Se pouca gente é mais odiada no Brasil, poucos também são amados por tanta gente.


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