Rita Cadillac
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Rita Cadillac

Na confusão de chinelo e bermuda de Santa Cecília, Rita Cadillac é só mais uma coroa na Canuto do Val

Eixo
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Por que Rita Cadillac passa batida em Santa Cecília?


A Rita Cadillac mora no meu bairro. Escrevo isso e, considerando a juventude da minha escassa audiência, acho justo esclarecer quem é Rita Cadillac. Em um tempo em que não havia X Videos, dancinhas no Tik Tok nem ondas de calor, a Rita Cadillac era uma mistura disso tudo na TV aberta no sábado à tarde. Rita Cadillac era uma chacrete e, ao dizer isso, não sei se ajudo ou atrapalho. Uma dançarina de programa de auditório. Uma estrela de TV. Uma proto-influencer.

Consulto a Wikipedia para saber mais sobre Rita Cadillac. Descubro que ela namorou Pelé antes da fama. Foi rainha do garimpo de Serra Pelada. Gravou "É bom para o moral" em 1983. Foi madrinha dos detentos. Filmou pornôs a partir de 2004. Foi candidata à vereadora na Praia Grande e participou de A Fazenda duas vezes antes de se tornar minha vizinha. A quem interessar possa, mantém desde 2021 um perfil no Onlyfans, serviço online de conteúdo adulto por assinatura.

A condição de vizinhança impõe algumas consequências naturais. Já cruzei com Rita Cadillac passeando com o cachorro. Tomando cerveja com amigos no bar da rua de cima no sábado. Comendo um bife à parmegiana duvidoso no restaurante da esquina. O cabelo ainda cor de fogo está quase sempre preso em um rabo de cavalo. Dos tempos de estrelato, conserva a raridade do sorriso. É hoje uma senhora como qualquer outra e que quase passa despercebida aos olhos menos atentos.

Quarenta anos atrás, isso seria não só impossível como imprevisível. Rita Cadillac estava nas casas de todos os brasileiros semanalmente, dançando e cantando em um dos programas mais assistidos do país. Isso para não falar nas caravanas, que levavam sua presença aos rincões mais recônditos. Mas o tempo é o senhor de todas as coisas e, às vezes, dá para ser famoso e deixar de ser na mesma vida. Não deixa de ser interessante poder vivenciar os dois lados da moeda.

Na confusão de chinelo e bermuda de Santa Cecília, Rita Cadillac é só mais uma coroa na Canuto do Val. Curiosamente, a mítica de femme fatale que a consagrou até combina bem com a aura descolada do bairro -- um respiro de maluquice no pragmatismo do Centro Expandido de São Paulo --, mas ninguém também se preocupa muito em levar essa afinidade insuspeita adiante. Da nossa parte, por timidez, desconhecimento ou indiferença. Da parte dela, talvez para ter um pouco de paz.

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Salve, meu povo! A história de Shanna Harrouche Garcia Lopes, a filha de bicheiro que quer seus pontos de volta foi muito bem-lida, pelo que agradecemos. Para quem gosta de séries documentais, o Globoplay soltou mais uma, sobre Eurico Miranda e, como não devo escrever sobre ela aqui, fico à vontade para recomendar a vocês. E você, o que achou da história de Shanna? E da série do Eurico? Aguardamos impressões! Se preferir, mande via Twitter ou e-mail.

Até a próxima quinta, às 8h30, aqui na Eixo.