Solidão
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Solidão

A solidão de fato, maciça e verdadeira, só traz sofrimento. A ponto dos homens de ciência se debruçarem sobre o tema a fim de desvendarem seus mistérios.

Eixo
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É impossível ser feliz sozinho?


Por Saulo Pereira Guimarães

São Paulo tem 4 milhões de solteiros. Mentira, eu não achei o dado exato no IBGE. O fato é que a maior parte dos solteiros paulistanos não está preocupada em escolher restaurante nem em reservar mesa e muito menos em comprar presente para dar a alguém na próxima terça, dia 12.

Afinal, eles não têm namorados.

Eu sei, solteirice está longe de ser sinônimo de solidão. O próprio IBGE não contabiliza com precisão a quantidade de rolos, ficâncias e amizades coloridas que se não descaracterizam, ao menos, ferem de morte a condição supostamente isolada de vários dos integrantes do grupo.

Para além disso, eu mesmo conheço solteiros que vivem cercados de amigos e casais que, até juntos um do outro, vivem em absoluta solidão.

Sou ousado e vou além. Uma pesquisa da Universidade do Estado de Ohio apontou que 66% dos pais e mães se sentem isolados ou solitários. Ou seja, nem um rebento é garantia de companhia nesse mundo de ilusões.

Joana2647261/Wikimedia
Joana2647261/Wikimedia

A língua portuguesa é um barato e nos presenteia com duas palavras diferentes para abordar o que eu quebro a cabeça para tentar explicar aqui: sozinho e solitário.

A primeira é usada para definir uma condição objetiva e, às vezes, até prazerosa. Eu, por exemplo, gosto de almoçar sozinho. Da possibilidade que estar sozinho me dá de organizar meu próprio tempo. Mas é um prazer que passa rápido, porque logo me sinto solitário — o que é algo bem mais complicado.

Mais do que estar sozinho, estar solitário é conviver com ausências. E a condição de estar solitário — a solidão — tem seu charme, que também some rápido.

A solidão de fato, maciça e verdadeira, só traz sofrimento. A ponto dos homens de ciência se debruçarem sobre o tema a fim de desvendarem seus mistérios.

Um levantamento da Meta-Gallup mostrou que uma em cada quatro pessoas se sentem sozinhas. Outra pesquisa identificou uma correlação entre solidão e, pasme, atitudes antidemocráticas. A solidão é considerada uma pandemia na Alemanha e, em 2018, o governo do Reino Unido anunciou um ministério para tratar do tema.

Aqui em São Paulo, a condição de viver sozinho — e não solitário — talvez só seja um problema para alguns na noite de terça — mas problema passageiro.

Afinal, como diz o ditado, antes só do que mal acompanhado.

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Salve, meu povo! Por aqui, seguimos nos comentários sobre a edição de Essepê no Michelin. A Mariana Paciência disse que já ouviu falar bem do Lilia e vai pôr na lista para ir um dia. Mandou votos de que a gente ache um lugar com boa comida e bom preço em São Paulo. Já Amanda Evelyn concordou mentalmente quando leu que a gente fala que se come bem em São Paulo porque a cidade, no fim das contas, é dose.

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Até quinta, às 8h30, aqui na Eixo.