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Em 1955, Antônio Soares Neto perguntou se JK traria a capital para o Planalto Central. Ele disse sim e fez Brasília. Mas e se São Paulo tivesse virado capital?

Eixo
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E se São Paulo tivesse sido a 3ª capital do Brasil?


Brasília só existe por causa de um concurseiro. Afinal, se Antônio Soares Neto não estudasse para ser servidor público, ele não saberia que a Constituição de 1946 previa a mudança da capital para o Planalto Central.

Sabendo disso, em 4 de abril de 1955, ele fez a pergunta durante um comício com Juscelino Kubitschek em uma concessionária de veículos em Jataí:

– Se eleito for, o senhor vai mudar a capital para o interior do país?

– Se a Constituição exige, vou respeitá-la e construirei, JK respondeu.

Cinco anos depois, Brasília estava pronta.

Mas e se Juscelino tivesse decidido trazer a capital para São Paulo?

Rene Burri / Magnum Photos
Rene Burri / Magnum Photos

A hipótese não é tão absurda. O artigo que previa a transferência falava em Planalto Central. Não havia nenhuma menção a que região receberia a capital. Como a cidade de São Paulo também está localizada no Planalto Central, o primeiro pré-requisito estava atendido.

O segundo fator é histórico. Até então, a escolha das nossas capitais era fruto dos diferentes ciclos econômicos. No caso de Salvador, o da cana. No caso do Rio, o do ouro. Vivendo o ápice de sua industrialização, fazia muito sentido que o Brasil quisesse transferir seu comando para sua cidade mais industrializada.

Tá, mas como seria? No caso de Brasília, JK criou a Novacap, uma companhia responsável por construir a cidade. Isso envolvia desde estabelecer um sistema de transportes até firmar acordos com Goiás sobre desapropriação de imóveis. Se a escolha fosse São Paulo, a infraestrutura já estaria lá, mas os gastos com desapropriações seriam maiores. É pouco provável que os principais prédios públicos federais ficassem fora das áreas centrais.

A própria negociação política seria mais difícil. À época, o governador do estado -- Lucas Garcez -- e o prefeito da cidade -- Jânio Quadros -- eram opositores de Juscelino.

Na Alesp, Brasília era tratada como um "capricho" de JK.

O mais interessante é pensar como a "nova" capital ficaria depois de pronta.

Em 1960, São Paulo tinha acabado de se tornar a cidade mais populosa do Brasil, com três milhões de habitantes. Resumos de cada país, capitais tendem a ser bonitas e, no caso em questão, isso exigiria a abertura de boulevards, praças e outras intervenções que mudariam a paisagem.

Nos anos seguintes, o local seria alvo de um fluxo migratório absurdo e viraria uma versão brasileira de Buenos Aires -- capital que abriga um terço dos argentinos.

A imagem internacional do brasileiro seria a do paulistano. Os bandeirantes e outras referências locais ganhariam força no imaginário nacional.

Considerando a força do empresariado na cidade, talvez o golpe de 1964 fosse mais civil que militar. A campanha das Diretas também poderia ter outro resultado. E o que seria de Lula, cria política da cena paulista, se estivesse mais perto do centro do poder há mais tempo?

Sobre essas e outras perguntas, só é possível fazer conjecturas. Tudo vira um grande "e se", no qual, às vezes, é gostoso pensar.

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E se as coisas tivessem acontecido de forma diferente?

Ao longo de janeiro, a Eixo imaginou em quatro textos como seria o presente se o passado tivesse sido outro. A série E se? foi um exercício de hipóteses baseado em fatos e temperado por imaginação.


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