Série C chega à segunda fase - Análise sobre os quadrangulares
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Série C chega à segunda fase - Análise sobre os quadrangulares

Após 19 rodadas, terminou a primeira fase da Série C. Agora os 8 times classificados se enfrentam em 2 grupos de 4; os 2 primeiros de cada grupo sobem; já o campeão de cada grupo vai pra final, que será disputada em ida e volta.

Jorge Luiz Filho
4 min
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Após 19 rodadas, terminou a primeira fase da Série C. Agora os 8 times classificados se enfrentam em 2 grupos de 4; os 2 primeiros de cada grupo sobem; já o campeão de cada grupo vai pra final, que será disputada em ida e volta.

No grupo 2, o grande destaque é o Mirassol, que ficou em primeiro no geral e pegou um grupo acessível, com 3 times que não chamaram tanto a atenção na primeira fase.

Difícil não imaginar o time paulista, liderado por Camilo, subindo; na realidade, é difícil até que não vença o grupo e vá à final, mas a ver o Volta Redonda (do bom Raphael Lucas), Botafogo-SP e Aparecidense (que pode conseguir o segundo acesso seguido, saindo da D pra B em 2 anos).

Camilo, o centro do Mirassol - Foto: Divulgação/Mirassol FC
Camilo, o centro do Mirassol - Foto: Divulgação/Mirassol FC

O peso todo ficou pro outro grupo, o 3, que tem 4 clubes de massa, os 4 maiores clubes do torneio e 4 das 5 maiores médias de público: Paysandu, Figueirense, ABC e Vitória.

Paysandu, Figueirense e ABC foram os 3 melhores times da primeira fase depois do Mirassol, um claro segundo escalão, tanto no sentido de time, como de campanha. E o bacana é que há muito equilíbrio aqui, não dá pra apontar um destaque.

Se o grupo 2, já citado, do Mirassol, tivesse um desses 4 clubes do grupo 3, certamente esse clube subiria junto com o time paulista. Realmente um grupo ficou desnivelado do outro, mas dentro de campo tudo pode mudar.

O Paysandu é um time mais ofensivo, que tem muito volume e qualidade no trio José Aldo (ex-Inter), Robinho e Marlon; este último é o artilheiro da competição, com 10 gols, e parece ser aquele meia de boa chegada na área. Além deles, Dalberto, de histórico de divisões maiores, completa o ataque.

Marlon, artilheiro da C - Foto: John Wesley/Paysandu
Marlon, artilheiro da C - Foto: John Wesley/Paysandu

O clube paraense nunca foi uma dúvida no torneio, com uma campanha sem sustos, sempre soube-se que estaria na segunda fase, mas o equilíbrio e força do grupo pode atrapalhar os planos de acesso.

O ABC, por sua vez, teve certa queda de rendimento no final e classificou em sexto, mas nunca deixou de ser um time que não chegaria no quadrangular.

Se destacando mais pela defesa, terá um grande desfalque pra fase final: Pedro Paulo, melhor goleiro da competição ao lado de Wilson (Figueirense), foi para o Atlético-GO. No ataque, a dupla Wallyson-Henan parece acima da média do campeonato e pode garantir os gols que a defesa evitará lá atrás.

Já o Figueirense. O time de Jr Rocha até oscilou no meio da competição, mas sempre foi um projeto estável. Perdendo apenas 2 jogos na fase inteira, mudou completamente seu estilo nas últimas rodadas, após a lesão do primeiro volante Serginho: o ofensivo segundo volante Oberdan virou primeiro homem e Léo Artur-Bassani, que revezavam titularidade, passaram a jogar juntos, em dupla, à frente de Oberdan.

Oberdan, ex-8 e novo 5 do Figueirense - Foto: Patrick Floriani/FFC
Oberdan, ex-8 e novo 5 do Figueirense - Foto: Patrick Floriani/FFC

Desde então, o time melhorou demais, o que também passou pelas entradas de Jean Silva, desequilibrando bastante pela esquerda, e Tito, que é um centroavante que conseguiu segurar mais a bola pra dupla de meio trabalhar.

Melhora à parte, o setor defensivo preocupa, até porque os laterais são muito ofensivos e ativos na construção do time; com 2 meias clássicos no trio de meio e 3 atacantes, em alguns dos últimos jogos notou-se uma dificuldade na recomposição, o que ficou claro vs Botafogo-PB fora e vs São José, onde o time tomou 2 gols só no primeiro tempo em casa (virou depois). No mais, o zagueiro Luis Fernando está fora do campeonato, seu reserva Kadu não passa confiança e seu companheiro, sempre titular, Maurício é melhor com a bola do que sem ela. Wilson terá que seguir sendo destaque.

Por fim, o Vitória. Sabe aquela história de "deixaram chegar"? Então, podemos ter mais um capítulo dessa história nesse grupo. Invicto há 8 jogos, o time embalou e conseguiu a classificação na última rodada, após chegar a brigar contra o rebaixamento.

Com a melhor média de público da série C, colocando mais de 30k torcedores em casa, a atmosfera é o grande diferencial do time.

Vitória, a maior média de público da Série C - Pietro Carpi / EC Vitória
Vitória, a maior média de público da Série C - Pietro Carpi / EC Vitória

Aliás, esse é o diferencial do grupo. A Série C tinha 5 clubes de massa e 4 deles não só passaram, como estão no mesmo grupo. Teremos 12 jogos com casa cheia ao longo das 6 rodadas.

Além dessa atmosfera, o Vitória tem material humano. Não é o melhor coletivo, mas possui os jogadores mais rodados e testados em cenários de pressão: Tréllez, Rodrigão, Alan Santos... No mais, tem Rafinha, de 8 gols na competição, como destaque.

Tudo pode acontecer no grupo. Qualquer dupla que subir terá sentido. Não será nenhum acidente o não acesso de qualquer um dos clubes.