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A Jornada do Herói que vendeu brigadeiro na rua

By Pedro Ladeira

Last update at 07/13/20216 Min.

Joseph Campbell, com o seu livro O Herói de Mil Faces, jamais imaginaria que o famoso termo "Jornada do Herói" seria tão utilizado para justificar a construção de narrativas como Star WarsHarry Potter e até a Odisseia de Homero.
Para você que não está entendendo, estou dando uma breve introdução em o que é a Jornada do Herói. Esta foi batizada por um grande estudioso da mitologia e religião, conhecido como Joseph Campbell, que reparou em como as histórias seguiam um padrão e decidiu mostrar isso para o mundo.
As 12 etapas da Jornada do Herói são:
  • o mundo comum;
  • o chamado à aventura;
  • recusa do chamado;
  • encontro com o mentor;
  • a travessia do primeiro limiar;
  • provas, aliados e inimigos;
  • aproximação da caverna secreta;
  • a provação;
  • a recompensa;
  • o caminho de volta;
  • a ressurreição;
  • e o retorno com o elixir.
Bom, tendo essa noção, utilizarei esses passos para contar a história de quando decidi vender brigadeiro em um sinal de rua. Eu sei que esse é um canal de tecnologia e programação, mas acredito que nem só de programação se vive um programador e histórias como essa ilustram isso muito bem.
Por isso, esse é o primeiro texto de uma série que irei chamar de Nem só de programação se vive um programador. Vamos lá!?
Era uma vez...

1. O mundo comum

Está vendo esse garoto da imagem acima? Bom, era eu com apenas 16 anos em um dos dias que foram mais marcantes para mim.
Estava em Juiz de Fora - MG, minha cidade natal, com uma plaquinha de papel e barbante, indo de carro em carro, oferecendo um chocolate quente ou brigadeiro.
Essa foto foi tirada pela última pessoa a comprar o meu último brigadeiro. O sorriso no rosto era de conquista e quem diria que essa foto seria responsável por tantas coisas mais a frente (fica aí que vou contar).
Antes de vender todos os brigadeiros, totalizando 5o nesse dia, jamais imaginaria que eu faria algo parecido. Quem me conhece sabe que sou uma pessoa mais quietinha e fazer algo dessa natureza estava longe do meu perfil.
Porém, fui lá, fiz e me senti ótimo depois de tudo.

2. O chamado à aventura

Agora, se você está se perguntando o motivo de ter feito isso, vou te contar agora.
Por volta dos meus 15 anos, eu comecei um instagram para produzir conteúdos sobre empreendedorismo e finanças. O usuário nessa época era @empreender.investindo. Entretanto, eu comecei a questionar a mim mesmo. O que uma criança, como eu, tem de propriedade para falar desses temas?
No fundo, eu sabia que não estava sendo verdadeiro comigo e nem com quem me acompanhava, pois, naquela época não tinha "colocado a cara" nos stories. Ninguém sabia quem estava ali por trás produzindo conteúdo e que muito menos era uma criança. Apenas como ilustração, esses eram o estilo de posts que produzia:
Enfim, eu sentia que precisava me colocar algo na prática. Era como se eu fosse uma fraude e precisava tentar algo, nem que fosse vender brigadeiro na rua.

3. Recusa do chamado

Embora sentisse que precisava fazer algo, não era algo simples assim para mim. Confesso que a parte mais difícil era abrir mão da vergonha e ir de em carro em carro vender.
Eu sentia que aquilo não daria muito certo, uma vez que sou muito tímido. Semanas antes do fato, enquanto tudo era apenas uma ideia, me deparava pensando em como seria minha abordagem.
Seria apenas falar um "oi, quer comprar brigadeiro?". E se a pessoa falasse um "não"? E se ninguém comprasse nada? Questionamentos que hoje acho bobos, dominavam a minha mente e colocavam um certo limite de fazer tudo aquilo acontecer.
Por breves momentos, hesitava em não fazer nada mesmo e ficar quietinho, mas eu falava para mim mesmo que se fizesse isso, também iria parar com a produção de conteúdo, porque não havia lógica na minha visão falar sobre algo que eu não conseguia colocar em prática.

4. Encontro com o mentor

Diante desse impasse que me encontrava, decidi me abrir para a minha família. Aquilo que eram apenas ideias que me consumiam, decidi colocar para fora. Nesse época, eles nem tinham muita noção que eu tinha um instagram com conteúdos voltados para empreendedorismo e investimentos, pois não era algo que falava muito.
No fundo, eu só precisa de um apoio para colocar minhas ideias em prática e foi justamente isso que meus pais fizeram. Ao expor todos os meus questionamentos, eles mostravam que não era muito bem daquela maneira e que precisava tentar.
Não era mais um "oi, quer comprar brigadeiro?" e sim um "Bom dia! Você gostaria de um brigadeiro para adoçar o seu dia?". Sempre com um sorriso no rosto.
E se a pessoa falasse um não? Sorriso no rosto e bora continuar, porque sempre terá uma próxima pessoa e essa outra pode te dar um "sim".
E se ninguém comprasse nada? Aqueles que estão te apoiando de verdade, sempre estarão ali. Se ninguém comprar, essas pessoas vão comprar pelo menos um. No meu caso, seria meu pai e minha mãe 😊.
Depois de uma conversa bem tranquilizante com eles, não existiam mais questionamentos.

5. A travessia do primeiro limiar

Se não havia mais impedimentos, estava na hora de me preparar para agir. Por uma semana, fui em diversos mercados e lojinhas para fazer orçamento de tudo que precisava. A lista de materiais era a seguinte:
  • Manteiga
  • Leite condensado
  • Leite
  • Chocolate em pó
  • Forminhas de brigadeiro
  • Copos descartáveis com tampa
  • Balas de menta
Estava sendo divertido passar por todo esse processo de fazer orçamento e calcular custos. Aquelas palavras que só eram presentes nos meus estudos, como markup e breakeven, fazia questão de usar 😅.
Como recordação, guardei um papel que usei na época para fazer os cálculos do brigadeiro:
Depois de ter tudo comprado, foi preciso abrir o Youtube e procurar as melhores receitas de brigadeiro e chocolate quente. 
Não foi muito difícil de acertar a mão. Com apenas alguns testes já tinha decido como iria fazer em "alta escala". Um fato interessante é que eu tive a ideia de escrever o meu instagram nos 100 copos que havia comprado. Era um meio de me divulgar para aquelas pessoas que comprariam de mim:

6. Provas, aliados e inimigos

Com tudo pronto para a ação, estava na hora de ir para rua. Fui dormir no dia anterior com um baita frio na barriga, sabendo que no dia seguinte seria um grande dia.
Até o momento, eu continuava sem nunca ter aparecido no instagram e nem falado que iria fazer essa aventura. Apenas postei no stories o horário que tinha acordado com a camiseta que estaria usando.
Se você não conhece Juiz de Fora, posso te dizer que é uma cidade bem fria. Eram 5:30 da manhã e embora estivesse um frio bem forte, a minha animação estava inabalável. Já levantei da cama e fui preparar os chocolates quentes, porque deveriam ser bem fresquinhos e quentinhos.
Fui para uma das avenidas mais movimentas com 2 mochilas. Uma estava as garrafas térmicas com chocolate quente e na outra estavam copinhos já preenchidos. Os brigadeiros estavam em uma vasilha na minha mão.
E aqui chegamos ao final da primeira parte. Optei por dividir o texto, pois estava ficando bem grande em questão de tamanho.
Acredito que os episódios da série Nem só de programação se vive um programador serão conteúdos de muito aprendizado. Por isso, daqui para frente, essa série será exclusivas para membros do meu canal.
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Se está curioso o que vem para os próximos capítulos, aqui vai uma prévia da parte 2 dessa história:
Todas essa fotos que você está vendo, foram decorrentes dessa ação que fiz. Ainda há vários aprendizados que irei extrair dessa história e se eu fosse você, não perderia 😉.
Até na próxima quinta-feira às 11:00h.