“Dedicatória"
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“Dedicatória"

Atravessar, e através ser!
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Já tinha um tempo que vinha prestando atenção em como o universo se comunica com a gente. E dessa vez não foi diferente, foi como um sussurro bonito. Uma ideia sobre algo que eu já vinha tentando “costurar”. Entre o start de um projeto tímido, e o melhor pretexto para começá-lo.
Quem me conhece sabe que eu sempre tive essa paixão pelas palavras, pela interpretação, seja visual, verbal ou escrita. Mas, nada disso seria possível se não tivesse tido um começo. Se eu não tivesse aprendido antes de qualquer coisa, o mais básico de tudo - aprendido a ler.
E essa história que eu vou contar, é de ar simples, porém, se transformou em algo gigante pra mim. Pois, bem...
Lá estava eu, na primeira série! A lição de casa era ler e completar pequenas sílabas de uma historinha, sobre uma tartaruga e uma onça (que inclusive, eu nunca mais esqueci!). Minha mãe tentava me ajudava a ler o começo, e na medida que eu ia conseguindo, ela resolveu me deixar tentar sozinha. Ela se acomodava no sofá, por conta do cansaço do dia. Sabe, ela sempre foi dessas tipo “mulheres-maravilha” - mãe, esposa, profissional dedicada, empresária e mulher. Se pensar bem, já não devia ser das rotinas mais tranquilas, mesmo há bons anos atrás. Mas, voltando pra tal lição da escola, poucos segundos se passaram no sofá, até ela achar a minha versão da história estranha! Fato é que a essa altura, eu já estava inventando. Era difícil, eu não tinha tanta intimidade com as palavras, quanto tenho agora. E ela, logicamente, logo percebeu! Me fez começar tudo de novo, desde o começo. E foi a partir daí, e de mais algumas noites como essas, que eu fui me aproximando cada vez mais da beleza do mundo da escrita. De fato, nessa trajetória até aqui foram muitos livros engolidos, madrugada a dentro, lágrimas de quase não ser capaz de conseguir ler, gargalhadas do fundo d'alma e muito, muito, muito aprendizado.
E tudo isso só foi possível porque ela fez, e muito bem esse papel, de mãe educadora. E junto desse, fez tantos outros. Daquele dia até hoje, foram vários papéis executados às custas de muita dedicação, suor, perseverança, amor, choro, sonho, fé e muita força.
Há vezes na vida, porque a vida tem dessas coisas, de nos surpreender pregando os dois pés na porta, nos jogar no chão, e pra levantar e continuar? É necessária uma coragem, bravura e força sobre-humana. Porque, um ser humano normal, não dá conta de tanto, não. Mas, ela deu conta! Tantas vezes! Tantas noites em claro! Tantas situações em que a pergunta que vinha era: Meu Deus, como eu vou atravessar isso?! Será se vou conseguir?! Mas, ela conseguiu! E por causa dela, a gente conseguiu também!
E ainda assim, tem um sentimento que ela e maioria das mães carrega em comum quase o tempo todo, na verdade dois: Autocobrança e culpa!
Sempre se culpando por não terem feito o suficiente, o bastante, por não terem feito melhor do que o que fizeram! Mas, fazer melhor COMO? Se já estavam entregando 999% do que existia no seu ser por completo, inclusive o rim e a alma!

Enquanto isso, em um universo paralelo:
E nós filhos, em certa altura da vida, egoistinhas que somos. No ímpeto de terceirizar a responsabilidade por nossas próprias frustrações e angústias. Tendemos ainda ousar dizer que muitas vezes foi falha delas, nossas mães (ou nossos pais) que nossa criança interior foi ferida, machucada, lastimada. De fato uma lástima! Que foi em algum momento de falta de amor e excesso de cuidado que nos traumatizamos.... Coitadas! Coitadas das nossas mães! Se você estivesse naquele lugar, no lugar dela, ou que seja no seu próprio lugar hoje, você teria feito muito melhor? Quiçá, teria feito melhor?! Nada! A verdade é que a gente nunca vai estar suficientemente preparados pra lidar com uma porção de coisas que a vida vai apresentar. Pois, boa parte da trajetória nessa caminhada, é saber lidar com as adversidade. É ter coragem e determinação suficientes pra ir atrás do nosso propósito, amor-próprio, sonho. E é exatamente assim mesmo! Pro nosso aprendizado e evolução nessa vida!
E é através dessa caminhada, onde elas atravessam o caminho da autocobrança e culpa. E a gente (filho) faz o caminho inverso pra atravessar o egoísmo e a ingratidão. É no meio desse caminho que encontramos o PERDÃO. É no meio do caminho que damos as mãos e abraçamos o que verdadeiramente importa: o infinito amor que sentimos uma pela outra.
Hoje, depois de ter dito ainda muito pouco, comparado ao que eu gostaria de dizer aqui. É que, eu dedico tudo que sou e me tornei à MÃE incrível que eu tenho! A vida inteira ela me desafiou a ser melhor, ela tem um talento natural pra isso! Acreditem! Mas, pra além de todo cuidado, amor e carinho, ela me ensinou o que é sonho, e me mostrou o que é FORÇA! Por que ela é o meu maior exemplo de fortaleza nessa vida! E sempre que eu penso que eu não dou conta de algo, eu penso nela! E logo esse pensamento vai embora.
Hoje, eu ofereço essa dedicatória de presente, não só pra pessoa que me trouxe à esse mundo. Mas, pra pessoa que foi presença presente pra tudo que eu precisava, pra me tornar exatamente a pessoa que eu sou hoje!

Com todo amor e admiração do mundo, obrigada mãe!

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