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O fantástico caso Andreoli

By Rica Perrone

Last update 11 months ago3 Min.

Eu não gosto do Andreoli. Acho mais um sujeito divertido e livre de mimimi que foi doutrinado pelo ambiente da bolha artística e/ou um cara que prefere puxar saco da casa do que ser quem de fato é.  Ou era. Já nem sei de quem se trata.
Tanto faz. Era meu amigo, deixou de ser quando foi traíra e preferiu expor os amigos em público do que falar no privado. Coisa de frouxo. Pra mim não rola. Amigo meu pode ser preso que eu não esculacho em público. Só pra ele. 
Me surpreende o que aconteceu? Zero. Eu o conheci assim, brincalhão, normal, errando, acertando e com o dedo pra baixo, não na cara dos outros. 
O fato é que Andreoli se tornou mais um exemplo gritante de como somos hipócritas e não precisamos continuar os massacres que fazemos, especialmente nesse mundo virtual tão surreal. 
Se em 2015 quando ele "era homofobico" e suas piadas matavam, segundo sua avaliação sensacionalista, ele fosse exposto e massacrado como fez com o Maurício, ele não estaria aqui.
Provavelmente estaria de assessor de algum jogador meia boca esquecido, cancelado e sumido. Porque teria sido destruído pela intolerancia de outro Andreoli qualquer, que tá mais afim de fingir ser um ser de luz do que melhorar alguma coisa. 
Não tô nem aí pro drama que ele tá vivendo porque embora eu saiba o tamanho da injustiça que é um massacre virtual e seja contra todas elas, essa partiu de uma fala dele onde ele bancava que sim, isso deveria existir. 
Então, irmão, aprende aí. Não deve. Nem com você, nem com ninguém. Simplesmente porque não tem um filho da puta nesse mundo que pode atirar pedra nos outros sem olhar pro próprio telhado.
Todos erram, mudam, evoluem, se arrependem. Mas tolerância é exatamente o ato de entender, argumentar, até punir, mas não matar. E você atirou pra matar. 
Só que pra atirar tem que ter porte. E o seu era falso.
Sabe quem tem? Ninguém. Porque se você nunca errou com homofobia, errou com racismo. Se não, com machismo. Se não, um dia traiu sua esposa. Se não, foi infiel com os amigos. Se não, falou algo que não devia sobre alguém.  
Mas você já errou. Invariavelmente, qualquer pessoa já errou. 
Então apontemos, condenemos, mas não destrua ninguém por um erro. Não rotule por vingança, nem ache que por um pensamento diferente do seu, mesmo que seja um equívoco, você pode destruir a vida de alguém.
Piada não mata. Depressão, desemprego, humilhação e levar nas costas sozinho um problema cultural mundial, sim. 
Tu é traficante pra matar pra dar exemplo? Espero que não. 
Então, Felipe,  você é só um retrato de um album enorme de fotografias que tem a sua volta, cheia de valores e princípios lindos no ar, e cheio de defeitos como todos fora dele. Você sabe. Eu sei. A sua volta tá cheio de machista, homofobico, assediador, cheirador, traficante e etc. Porque o mundo é assim. 
Não me importa se você mudou, nem te acho homofobico. Só fez piadas.  Mas a lição disso tudo é fácil: Voce nao seria o Andreoli disposto a assassinar reputações hoje se tivessem assassinado a sua. 
Então baixa a bola. Você, sua patota, seus colegas e quem mais fizer parte de teatro de merda onde todo famoso é perfeito, fofo, pensa igual, se importa com os outros e só tem amor no coração.
Vocês vivem numa bolha.
O mundo, não. 
RicaPerrone
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