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A tutoria resolve todas as ineficiências da educação

By Superbloom

Last update 2 months ago5 Min.

Na semana passada, eu falei sobre como alunos sob instrução tutorial têm, em média, um desempenho melhor que 98% dos alunos em uma sala de aula convencional.
Essa estatística deveria motivar qualquer pai a adotar o homeschooling – tornando a educação dos seus filhos totalmente tutorial – OU a complementar o ensino escolar com tutorias, em casa ou em cursinhos especializados.
Mas, na prática, isso não ocorre porque muitos pais e mães duvidam dessa estatística e da sua capacidade de cumprí-la.
Este artigo vem então para matar essa dúvida.
E, felizmente, essa dúvida pode ser aniquilada a partir de um simples princípio pedagógico:
A memória é o resíduo do pensamento.
Daniel Willingham no livro "Why Don't Students Like School?"
Desse princípio, concluímos que o aprendizado só ocorre se a mente do aluno estiver ocupada com algo que deve ser aprendido. E daí surge uma variável fundamental para a análise de qualquer processo de ensino: o tempo-na-tarefa ("TNF").
O TNF é o percentual da duração de uma aula durante o qual a mente de um aluno está ocupada com um raciocínio relevante ao aprendizado de algo que o aluno ainda não domina.
Esse raciocínio pode (e muitas vezes deve) ser um acompanhamento do raciocínio do professor ou do material didático. Se o raciocínio é relevante, tá valendo.
Dito isso, façamos então uma estimativa do TNF em uma sala de aula convencional, com muitos alunos e um professor.
Em primeiro lugar, o professor precisa lidar com rituais (fazer chamada, explicar atividades, justificar notas), com interrupções (reclamações, bagunças, idas ao banheiro) e com a motivação dos alunos. Esse conjunto de atividades recebe o nome de gestão de sala e ocupa facilmente metade do tempo do professor.
Em cima disso, em uma sala de aula e na própria cabeça de um aluno existem infinitos pensamentos interessantes que podem ser explorados. Consequentemente, a atenção do aluno só está presente durante metade de uma aula.
Combinando esses dois fatores, encontramos que o professor e o aluno só estão sincronizados nos propósitos de ensinar e aprender, respectivamente, durante 25% do tempo de uma aula.
Em seguida, dois efeitos adicionais incidem sobre o TNF:
O tempo-na-tarefa é largamente determinado pela qualidade da instrução e pela extensão da presença dos pré-requisitos cognitivos para cada nova tarefa de aprendizagem.
Benjamin Bloom no livro "All Our Children Learning"
Quanto à qualidade da instrução, vários vilões podem estar presentes ou não nas escolas dos seus filhos: construtivismo; trabalhos em grupo; conteúdos insignificantes e que seriam aprendidos naturalmente por osmose; professores que não sabem o que devem ensinar; etc.
Vejamos, por fim, o efeito dos pré-requisitos cognitivos. Em uma sala de aula, diferentes alunos terão diferentes conhecimentos e habilidades prévias. Portanto, para cada 10 raciocínios expostos por um professor, é de se esperar que 4 sejam sobre pré-requisitos que um dado aluno já domina e que outros 4 necessitem de pré-requisitos que o mesmo aluno ainda não possui. Somente 2 dos raciocínios são aproveitáveis. O mesmo pode ser dito sobre um dever ou prova com dez exercícios – afinal, uma média de 6/10 é o normal em muitas escolas.
Portanto, se o professor e o aluno só estão sincronizados nos seus respectivos propósitos durante 25% de uma aula e se somente 2 de cada 10 raciocínios ou exercícios são aproveitáveis para o aprendizado, o TNF em uma sala de aula convencional é de 5%.
Agora, vejamos o que ocorre na tutoria.
A gestão de sala é praticamente eliminada quando se tem um único aluno.
A atenção do aluno é maximizada pela inexistência de conversas paralelas, pela eliminação de distrações pelo tutor, pela conexão um-a-um do tutor com o aluno, pelo foco do tutor – ora no aluno (pressão), ora no conteúdo (exemplo) – e pela potencial vontade do aluno de seguir o mesmo caminho do tutor.
qualidade da instrução está sob controle. Não é difícil para você, pai ou mãe, passar longe dos vilões citados ao prover instrução você mesmo ou contratar um tutor ou cursinho adequado.
E a questão dos pré-requisitos cognitivos é naturalmente resolvida:
Quando feedback é fornecido e acompanhado de processos corretivos e tempo adicional, a maior parte dos alunos consegue atingir o padrão de desempenho determinado pelo professor. [...] Em situações de tutoria, a relação um-a-um fornece tanta informação interativa que esse processo feedback-corretivo é uma parte natural da troca entre o tutor e o tutorado. Contudo, como o aprendizado em grupo é central nas escolas, é bem difícil para o professor fornecer feedbacks-corretivos para os 30 alunos em cada sala. Como resultado, muito ensino ocorre com aprendizado inadequado por parte de muitos dos alunos.
Benjamin Bloom no livro "All Our Children Learning"
Em outras palavras, na tutoria é natural perceber quais são os conhecimentos e processos mentais que o aluno ainda não tem e focar o tempo da aula nesses pontos.
Diante desses quatro pontos, não é difícil imaginar que um tutor inexperiente (que pode ser um pai ou uma mãe comum) consiga prover uma tutoria que garanta 50% de TNF.
Nem é difícil imaginar que um tutor com mais experiência, que lê livros para cada objetivo específico ("Como Ensinar Seu Bebê a Ler" do Glenn Doman, "Ensino Gostoso de Matemática" do Toru Kumon, etc.) e que busca desenvolver um padrão de disciplina no aluno consiga garantir quase 100% de TNF.
Conclusão: Pais comuns, atuando como tutores, e tutores privados inexperientes têm a capacidade de oferecer dez vezes mais TNF (ou seja, dez vezes mais aprendizado em um mesmo período de tempo) para os seus filhos ou alunos. Basta saber o conteúdo a ser ensinado (ou estudá-lo previamente) e selecionar materiais didáticos (textos originais e/ou objetivos e muitos exercícios) para ler e resolver junto com o aluno. E com um pouco de dedicação, resultados ainda melhores são possíveis.
Consequentemente, não é uma surpresa a constatação de que alunos sob instrução tutorial têm, em média, um desempenho melhor que 98% dos alunos em uma sala de aula convencional.
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O próximo artigo será "O cálculo econômico do homeschooling."