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Cibercultura e a educação na ausência de regulações

By Superbloom

Last update 2 months ago6 Min.

Em 2001, um livro fez com que muitas pessoas ficassem OTIMISTAS em relação ao futuro do ensino superior.
Se tratava do livro "Cibercultura" do Pierre Lévy, um filósofo francês que estudava a internet e que previu fenômenos como a Wikipedia e a Amazon antes deles se tornarem realidade.
O livro é cheio de definições acadêmicas circulares — daquelas usadas para encher as revisões bibliográficas de monografias — e propõe que o estado influencie e regule fortemente o futuro resultante da tal cibercultura, o que não me agrada.
Mas no meio do livro, há sim uma visão MUITO INTERESSANTE para o futuro da educação.
O autor percebeu que "pela primeira vez na história da humanidade, a maioria das competências adquiridas por uma pessoa no início de seu percurso profissional estarão obsoletas no fim de sua carreira."
Daí, concluiu que "os indivíduos toleram cada vez menos seguir cursos uniformes ou rígidos que não correspondem a suas necessidades reais."
O que o levou à seguinte previsão:
Diplomas escolares e universitários serão substituídos pela combinação de uma simples "formação elementar de qualidade" com um portfólio de competências, um "reconhecimento dos conjuntos de saberes pertencentes às pessoas".
Se pararmos para pensar, isso era basicamente o caminho natural que a educação estava seguindo antes da criação do sistema escolar prussiano, momento que deu início à participação do estado na educação e à regulação da educação pelo estado.
Considere, por exemplo, o que se conhece por educação clássica, composta pelo trivium (basicamente, domínio da linguagem e suas aplicações) e pelo quadrivium (basicamente, domínio da matemática e suas aplicações).
É a tal "formação elementar de qualidade."
Considere também a possibilidade de ter as suas habilidades reconhecidas por quem te contrata sem a necessidade de um diploma carimbado pelo estado.
É o tal "reconhecimento dos conjuntos de saberes pertencentes às pessoas."
A novidade do Lévy era a observação de que a internet permite que esse reconhecimento de competências seja muito mais completo, seguro e eficiente.
Com a internet, testes e certificações podem ser criados para qualquer tipo de habilidade e aplicados em escala.
Com isso, diplomas tradicionais se tornariam obsoletos diante da proliferação de micro-certificações mais pulverizadas e mais confiáveis que os diplomas.
As pessoas iriam poder trilhar seus próprios caminhos de aprendizado, escolhendo a dedo não só os assuntos que gostariam de estudar mas também onde estudá-los e como certificá-los.
Essa previsão animou muitas pessoas que passaram a imaginar um futuro sem os incontáveis problemas das universidades.
Para a tristeza dessas pessoas, contudo, a realidade dos últimos 20 anos revelou um obstáculo enorme para a chegada desse futuro: a academia e as entidades de classe não admitem largar as regulações que sustentam os seus privilégios.
Mas no caso do ensino básico, o contrário ocorreu e a previsão do Lévy, que parecia ser mais direcionada ao ensino superior, virou realidade.
Devido ao movimento do homeschooling, uma realidade de liberdade educacional está ao alcance de qualquer pai. Além disso, certificações para o ensino básico como o ENCCEJA e o ENEM já existem e já operam em escala.
E quais são as vantagens dessa liberdade educacional?
Em primeiro lugar, sob o homeschooling, podemos aproveitar os benefícios do caminho natural da educação que a criação do sistema escolar interrompeu. Podemos pular conteúdos insignificantes e focar o ensino no domínio da linguagem, da matemática e das suas respectivas aplicações. Em cima disso, podemos adicionar história e literatura como uma forma de edificar morais.
Em segundo lugar, com o tempo que economizamos, podemos objetivar ir além do que a escola faz hoje. Podemos buscar certificados avançados de inglês, português e matemática. Podemos desenvolver habilidades técnicas que não são vistas na escola. E podemos introduzir nossos filhos adolescentes ao mundo do trabalho. Assim, fornecemos aos nossos filhos um conjunto de experiências e certificados que valem muito mais que um diploma tradicional.
Por fim, podemos aproveitar os benefícios de uma competição mais livre entre instituições, profissionais e métodos de ensino.
Pense comigo:
  • Qual é a melhor alfabetização que você pode dar para os seus filhos? A de uma escola com mensalidade de 10 mil reais ou a de uma tutora especializada, com atendimento um-a-um, resultados comprovados e que cobra 300 reais de mensalidade?
  • Qual é o melhor ensino de matemática? O da escola de 10 mil reais ou o de 300 reais por mês do método Kumon, que foi otimizado por décadas, não está sujeito a modas pedagógicas e é reconhecido mundialmente?
  • Qual o melhor ensino de artes? O da escola de 10 mil ou o de 300 reais de uma escola de pintura ou de música, que ensina habilidades reais e desenvolve a compreensão da arte paralelamente ao esforço de replicar as técnicas de grandes mestres?
  • Qual o melhor ensino de história e literatura? O de 10 mil ou a leitura de livros recomendados por grandes historiadores e escritores?
  • Qual o melhor ensino de biologia e geografia? O de 10 mil ou o ensino abrangente, objetivo e lógico de um competente cursinho pré-vestibular?
A resposta para todas essas perguntas é sempre a segunda opção.
E é somente com o homeschooling e a ausência de regulações na educação que a combinação de todas essas segundas opções se torna uma possibilidade.
É por esse e outros motivos que Bastiat afirma:
A necessidade mais urgente é, não que o estado ensine, mas que ele permita a educação. Todos os monopólios são detestáveis, mas o pior de todos é o monopólio da educação.
Quando pais têm a liberdade de escolher a educação dos seus filhos, as melhores instruções (conteúdos, habilidades e valores mais relevantes, métodos mais eficientes, etc.) irão se popularizar graças aos exemplos e resultados demonstrados por quem recebeu essas instruções.
Mas quando o estado regula a educação, conteúdos e métodos são adotados não porque eles são melhores, mas porque eles convêm ao estado ou porque alguns burocratas foram seduzidos pela última moda educacional. E como isso é uma consequência da natureza do estado, isso ocorre até mesmo nos países de "primeiro mundo".
A melhor educação do mundo não está ocorrendo em escolas da Finlândia, de Cingapura ou do Reino Unido. A melhor educação do mundo está ocorrendo em cursinhos especializados e nas casas de pais que possuem e exercitam a liberdade de definir todos os aspectos da educação dos seus filhos.
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