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O que uma partida de golfe pode te ensinar sobre cultura?
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O que uma partida de golfe pode te ensinar sobre cultura?

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Mesmo que você não goste de basquete, o duelo entre Boston Celtics e Miami Heat, que se encerra hoje, às 21:30, pode ser uma verdadeira aula sobre liderança, cultura e quebra de paradigmas.

Nos Playoffs da NBA, vence o time que ganha quatro partidas em uma série melhor de sete e, quando um time abre 3-0 de vantagem, é quase impossível de seu adversário reverter.

  • Estatisticamente, aliás, das 150 vezes que isso aconteceu desde a década de 60, nenhuma equipe, sequer, conseguiu virar a série e avançar no mata-a-mata.

Ok, mas o que isso tem a ver com carreira?

Pela primeira vez na história, é possível que um time complete a façanha de virar uma série depois de sair perdendo por 3 a 0. O time de Miami abriu 3 jogos de vantagens e chegou a tirar sarro do rival Boston Celtics — até porque, ninguém acreditava em um comeback.

Porém.......... (o excesso de reticências foi proposital) O time de Boston venceu os últimos três jogos, empatando a série e, hoje à noite, mais precisamente às 21:30, a história pode mudar.

Se isso ocorrer, a estratégia utilizada por um dos veteranos do time terá sido a grande virada de chave do time que estava perdendo e é exatamente isso que poderá trazer uma grande lição para a sua vida profissional.

Uma simples partida de golfe

Da crise à retomada. Após o terceiro jogo, quando o Boston Celtics estava a uma partida de perder, um repórter perguntou ao técnico se havia uma desconexão entre ele e os jogadores naquele momento.

Joe Mazulla, o jovem técnico estreante de 34 anos, afirmou que sim, dizendo que ele tinha que ser melhor para descobrir o que sua equipe precisava para garantir que eles estivessem conectados.

  • É como se, no mundo corporativo, o seu CEO, às vésperas de uma reunião importante, assumisse que não sabe o que fazer.

No contexto de Boston, um jogador chamado Al Horford — até mais velho que o técnico — resolveu propor algo inusitado.

  • Ao invés de assistir aos lances do jogo anterior, algo bem comum na rotina da NBA após derrotas, ele convidou seus colegas para uma partida de golfe.

Foi quando tudo mudou. Toda a equipe — sem exceção — se reuniu para jogar algumas horas de golf, com intuito de se conectar mais e voltarem a ter confiança e harmonia no vestiário.

  • “Aqueles caras tiveram uma escolha a fazer”, disse o técnico Mazzulla. “E eles escolheram acreditar um no outro.”

Para completar o espetáculo, um dos jogadores mais jovens e um pouco ousados, ao ser questionado sobre qual era a expectativa para o Jogo 4, respondeu com um tom de ironia: "É melhor que eles não nos deixem ganhar uma partida dessa série".

De lá pra cá, veja os resultados:

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Três vitórias seguidas do time verde e muita confiança. O sentimento, após esse empate, mudou por completo. O Miami Heat, que era o time favorito há poucos dias, nunca esteve tão pressionado.

A escolha feita pelo time "foi fundamental", disse o veterano e idealizador Horford. Na visão dele, o técnico e os jogadores poderiam não ter comprado a ideia.

  • “Isso apenas mostra quanto coração e luta temos como equipe, como irmãos”, disse um dos jogadores. “Nossa corrida ainda não acabou.”

Percebeu a relação disso com a cultura do seu time?

É claro que não sabemos qual é o momento da sua empresa, mas podemos adivinhar que, com certeza, sua equipe já esteve em um momento similar ao do Boston Celtics.

Será que os Celtics iriam chegar ao sétimo jogo se tivessem continuado assistindo as fitas dos jogos passados e tivessem mantido as rupturas no time? Provavelmente não. Use isso a seu favor.

Se pudéssemos retirar alguns insights sobre esse episódio, diríamos que:

  1. Há momentos em que a técnica (Hard Skills), por si só, não é suficiente — eles pularam a parte de assistir vídeos e trabalharam no emocional;
  2. A hierarquia nem sempre traz as melhores soluções — o técnico não sabia o que fazer;
  3. O bom líder sabe ouvir seu time e dar poder a boas ideias — Mazzulla ouviu seu time e deu autonomia para eles; 
  4. A harmonia entre o grupo pode corrigir o que o playbook não compreende — há momentos em que estabelecer a boa relação é o primeiro passo para melhorar algo.
  5. Fugir do padrão e pular o script, por vezes, é preciso. Não assistir filme para eles é como deixar de participar de uma reunião de feedbacks, por exemplo.

Para fechar, abre aspas: "A gente se desconectou da pressão daquele momento e fomos capazes de curtir uns aos outros durante o jogo de golfe".

Qual "experiência" você pode proporcionar ou sugerir ao seu time para virar a mesa em algum contexto da sua vida corporativa atual? Pense nisso e, claro, não deixe de assistir ao jogo hoje. risos.