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Caminhos para evoluir

By Tiago Ricotta

Last update at 07/21/20217 Min.

Na última semana participei de um evento online que me marcou bastante, digamos que foi um choque de realidade entre o mundo de tecnologia e o mundo real.

O Teodolito (1/7)

Algumas vezes aqui já conversamos sobre como a tecnologia evoluiu, mas as algumas coisas continuam sendo feitas da mesma forma que nossos antepassados de séculos passados.
Participando de uma live com alguns estudantes e conversando sobre como a tecnologia está impactando a vida em geral, uma frase me marcou muito:
“o que vocês acabaram de mostrar praticamente invalidou o que me ensinaram sobre marcação e topografia na faculdade”
Alguém perplexo com a tecnologia
A naturalidade como a frase saiu e ecoou na sala virtual entre risadas e um certo desespero de a pessoa pensar que era um dinossauro aos 20 anos me fez pensar em como é muito necessário pensar sobre o gap entre as empresas de tecnologia e o mundo real.
Vamos dizer que em menos de duas semanas dois bilionários foram ao espaço e estão inaugurando uma nova era em nosso mundo e sociedade e enquanto tem gente investindo recursos em coisas cada vez mais disruptivas.
No geral não acho que o Brasil esta na rabeira na questão tecnológica, claro, não temos um bilionário excêntrico fazendo foguete (ao menos não que seja do nosso conhecimento), mas já visitei muito lugar em situação muito mais delicada que nós.
Parando para pensar listei algumas ações que poderiam ajudar a fechar esse gap entre o mundo real e a bolha de tecnologia que muitas vezes estamos inseridos.

Laboratórios (2/7)

Hoje em dia a gente consegue mandar a campo um trator com todas as coordenadas definidas do que ele precisa fazer e não só isso, ditamos o como precisa fazer, com que ângulo precisa executar os serviços e a que velocidade precisa andar, tudo isso sem que haja nenhum humano dentro dele controlando a máquina.
No final do dia toda empresa acaba querendo buscar ser mais eficiente, mas não há muito como essa eficiência ser conquistada sem que haja uma contrapartida de investimento por parte das empresas.
O problema neste e em vários outros casos é que a empresa acaba tendo que arcar não só com os custos dos equipamentos e manutenções, mas também com os custos de formação de toda a mão de obra que vai operar esse maquinário.
Aqui estou dando um exemplo de um maquinário, mas pode servir para qualquer tipo de tecnologia, software ou hardware.
O fato é que no mercado AEC não tem muito como baixar um app e a coisa está resolvida, tem toda uma teoria por trás das coisas, logo, é preciso operar a tecnologia para ganhar confiança e a coisa andar.
Neste sentido ter alguns laboratórios aos quais os profissionais pudessem testar as coisas e ver na prática como funciona poderia cortar um caminho grande na insegurança das empresas.
Existem alguns laboratórios nas grandes universidades, mas são ações isoladas, onde uma empresa pode ir se quiser testar na prática o que mais de ponta existe no mercado?
Encurtar esse gap seria bem importante para avançarmos mais rápido.

Empowerment (3/7)

Nem tudo nessa vida é hard skill, muita coisa precisa evoluir em soft skill também, afinal, como você desenvolve a segurança em um profissional de que ele pode pegar o boi pelo chifre e liderar iniciativas de inovação internamente nas empresas? Difícil.
Acredito que um dos principais problemas que temos no mercado em geral é a falta do empowerment nos profissionais, ou seja, enxergar o problema, encontrar uma solução e ir à luta internamente na empresa sendo o responsável pela mudança mesmo que isso signifique falhar.
A cultura da empresa obviamente influencia diretamente neste tipo de iniciativa pois não é todo mundo que tolera falhas e o que acaba acontecendo no final do dia é a contratação de uma consultoria que acaba servindo de escudo.
Voltando ao tópico anterior, se existir a possibilidade de teste das coisas em um ambiente livre de pressão talvez a evolução seja mais rápida.
Sobre teste eu digo teste de verdade, pegando o boi pelo chifre, nada de POC tosca que se faz em um ambiente que as pessoas já sabem que vai dar certo, isso é perda de tempo tanto da empresa quando para o fornecedor.
Pessoalmente tenho uma boa história sobre isso, mas fica para uma mesa de bar quando as coisas voltarem a vida. :D

Colaboração (4/7)

Uma coisa que falhamos miseravelmente como indústria é a colaboração e divulgação de como as coisas funcionam, obviamente ninguém quer abrir as entranhas de como as coisas são feitas nas empresas, mas minimamente compartilhar boas experiências e sanar dúvidas gerais.
Particularmente não aguento mais live nesta pandemia, precisaríamos de alguma coisa que movimentava o mercado com a Built-in e a Startse chegaram a fazer entre 2019 e 2020, criando um fórum no qual a galera poderia apresentar e discutir os problemas livres de amarras.
Não é muito difícil ter alguma agenda na semana para conversar com algumas pessoas de outras empresas e segmentos para refrescar as ideias, talvez seria legal criar um fórum de discussão e troca de experiência no geral em que as pessoas de fato participassem.
Poderia ser uma forma de colaborar e evoluirmos como indústria, se você se anima com esta ideia manda uma mensagem no linkedin ou no e-mail cadastrado aqui na Pingback que havendo adeptos daria para pensar em um MVP sobre o assunto.
Afinal de contas os problemas são mais ou menos os mesmos, só muda o endereço de empresa para empresa, conversar sobre as possibilidades pode ser uma boa, alguém já deve ter resolvido aquela sua dor e não quis falar.

Pesquisa (5/7)

Se os problemas são mais ou menos ou mesmos como fazer para encontrar quem queira solucionar estas dores?
Chove gente liderando hub de inovação e VC disposto a construir e escalar solução neste mercado, porém o entendimento da indústria e a forma de aproximação com as empresas é um pouco falha na minha vivência, afinal, este pessoal está mais preocupado em ter um app bonito e vender uma consultoria para falar que só por contratar a consultoria dele você já é inovador.
Bullshit.
Como já falamos aqui em outras ocasiões, a cultura do mercado repele a inovação, a coisa não é tão simples como criar um app e achar que vai dominar a tela mais cara do mundo (tela de um celular), a chance de ser irrelevante com uma solução tecnologicamente sofisticada é enorme.
De uns tempos para cá acredito mais que o próximo passo das coisas em AEC está dentro da própria indústria, acredito que falta é gente pesquisando a solução destes problemas em comum, talvez aproximar as grandes empresas das grandes universidades de forma mais intensa possa ser um caminho.
Até escrevi um pouco mais sobre academia e mercado, mas neste caso prefiro dar uma de Glória Pires, não serei capaz de opinar sobre o assunto, com a pandemia não tenho muita ideia de como está a questão de produção cientifica.
No final das contas a gente precisa de gente pesquisando, testando, errando, aprendendo e repetindo o ciclo até dar certo.

Peopleware (6/7)

Imagine que haja o fornecimento de laboratórios, as pessoas queiram agarrar o boi pelo chifre, exista uma comunidade compartilhando dores e exista uma produção cientifica massiva, o que vem a seguir?
Bom, pensando como indústria e a indústria é feita de pessoas é preciso pensar no mainstream, como conseguir capacitar o maior número de pessoas possível sem nem mesmo saber qual a motivação destes profissionais?
Pelo medo da obsolescência e/ou armagedon tenho sérias dúvidas de que possa funcionar uma adoção massiva as tecnologias, afinal, já vi essa fórmula e discurso serem usados várias e várias vezes sem muito sucesso.
Uma coisa é certa, é um problema que mais dia ou menos dia vai ter que ser pensado, os próprios formatos de capacitação existente atualmente não são lá muito atrativos.
Juntando a falta de motivação com um jeito arcaico de ensinar o resultado tende a ser não muito bom.
Está aí um bom problema para pensar, hoje não tenho muita ideia do que poderia ser feito, mas fica a lição de casa por aqui.

Discussão (7/7)

Encontrar soluções e caminhos para alguns problemas conhecidos acaba sendo uma melhor abordagem do que só apontar problemas sem nenhum caminho possível a ser trilhado.
Obviamente muitas coisas aqui podem já ter sido testadas, evoluídas, pivotadas e morreram na praia (ou não).
Ter a discussão no final do dia eu acho mais do que saudável, estamos aqui tentando fazer este serviço.
Havendo sugestões do lado do leitor gostaria muito de discutir e pensar em conjunto.
Vamos que vamos,
Abs.
Tiago Ricotta