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Por que o sucesso alheio não deve servir como espelho para o seu futuro?

By Rodrigo Pereira

Last update 5 days ago7 Min.

Dia 01/10/2021 completou 6 anos do meu primeiro dia de trabalho na empresa que estou até hoje, entre jovem aprendiz, estágio e efetivação, são 5 anos de empresa e quase 2 como funcionário efetivado. Como a rede social que deveria ser focada em profissionalismo se tornou um antro de egocentrismo, mentiras e coachs da falsidade, achei que seria interessante trazer aqui a minha história real que explica o meu pensamento de porque não devemos pautar nossos objetivos profissionais de acordo com o sucesso alcançado por outras pessoas.
Para começar é preciso deixar uma coisa clara, eu não vim de uma família rica, mas também nunca passei por necessidade, tanto que me foi dado o privilégio de focar 100% em meus estudos, sem nunca ter me preocupado em ter que trabalhar para ajudar em casa (exceto por pequenos auxílios que dava para meu avô em questões tecnológicas relacionadas ao trabalho dele), isso fez com que eu fosse buscar meu primeiro emprego mesmo aos 18 anos, após já ter terminado o colégio e apenas com o objetivo de ter meu próprio dinheiro para comprar minhas coisas e sair com os amigos.
Bom, é aqui que começa realmente minha "trajetória", no agora já longínquo ano de 2015, minha primeira tentativa foi uma vaga de jovem aprendiz no Banco Itaú, na qual me adoraram na entrevista, mas não puderam me selecionar pois eu ainda não possuía a minha dispensa do exército (maldito seja o serviço militar obrigatório), então deixei a procura por um emprego de lado e resolvi fazer um curso de web design (tecnicamente o curso era de "desenhista para páginas para web", já que não podiam usar a nomenclatura "web design" por não ser um curso de bacharelado) enquanto resolvia as questões da reservista. No meio do ano eu já havia terminado o curso, estava de pose da minha reservista e conseguido minha vaga na universidade no curso de Ciências Econômicas, é quando voltei para minha busca da minha própria fonte de renda e consegui um emprego entregando jornais no farol, trabalhava 4 horas por dia, de segunda a sexta, cedo pela manhã, e recebia cerca de 400 reais, com adicional sempre que fosse preciso trabalhar de final de semana ou feriado. Estava ótimo, eu teria meu dinheiro e ainda trabalharia de uma forma de provavelmente não iria impactar meu desempenho estudantil, porém, como já estava na faculdade, continuei na busca de um emprego na área ao mesmo tempo.
É aqui que temos o primeiro ponto de virada, num dia qualquer no inicio de setembro eu recebo uma ligação, era a mesma pessoa que meses antes havia me entrevistado para a vaga no Itaú perguntando se eu já tinha conseguido minha reservista, se já tinha iniciado na faculdade (durante a primeira entrevista eu havia comentado do meu desejo de estudar economia) e se estaria interessado numa vaga de jovem aprendiz na área de finanças de uma empresa. No dia seguinte lá estava eu indo para a entrevista, perguntando para minha melhor amiga pelo WhatssApp informações da empresa pois ainda não a conhecia, chegando lá a entrevista que deveria durar 30min acabou levando pouco mais de 1 hora com uns 40min só de conversa sobre basquete (até porque, convenhamos, nessa época eu não tinha lá uma bagagem profissional grande o suficiente para que o papo pudesse ser outro). De alguma forma eu consegui a vaga e no dia 01/10/2015 estava tendo meu primeiro dia de trabalho num escritório, comecei em Finanças, mas pouco tempo depois foi criada a área de Pricing para a qual meu gestor acabou sendo designado e eu fui junto dele.
Foram 15 meses como Jovem Aprendiz, até que meu contrato se encerrou em 31/12/2016. Passei um tempo sem trabalhar novamente até que arrumei um estágio numa outra empresa que durou apenas 2 meses, pois recebi uma ligação do meu antigo gestor me oferecendo uma vaga de estágio para voltar a trabalhar naquela empresa com as seguintes palavras:
"Estamos cheios de problemas e precisamos de você"
Eu aceitei e aqui se vão mais 2 anos de estágio, de 02/10/2017 até 01/10/2019, novamente fazendo meu trabalho da melhor maneira que eu acreditava. Ao fim do estágio, por questões burocráticas que envolvem uma empresa multinacional, fiquei 1 mês de "férias" e no dia 07/11/2019 retornava à empresa como funcionário efetivo.
A questão é, o que eu quero dizer com tudo isso? Eu sou um profissional muito bom, tenho noção das minhas qualidades (mesmo que as vezes meu cérebro me sabote e me faça esquecer delas) e tenho uma bela de uma network, mas se fosse para escolher o principal fator para o meu atual "sucesso profissional", eu diria que é SORTE.
Eu tive SORTE da mulher que me entrevistou na minha primeira entrevista lembrar de mim meses depois para uma outra vaga totalmente diferente da qual ela me entrevistou originalmente. Tive SORTE que meu entrevistador gostava de basquete tanto quanto eu e que isso tenha levado a uma ótima conversa. Tive SORTE de ter um gestor incrível que gostou de mim ao ponto de lutar para criarem uma vaga de estágio que não existia. Tive SORTE da diretoria do Brasil acreditar no meu potencial e brigarem com a sede para criarem uma vaga de efetivo exclusiva para mim, mesmo quando a empresa estava com as contratações congeladas globalmente.
É lógico que tudo que fiz tem sua parcela de responsabilidade nisso tudo, eu me esforcei muito para me tornar sinônimo de efetividade (tanto que empresas concorrentes já me procuraram oferecendo vaga), mas também é verdade que não sou o mais social dos funcionários, apesar de me comunicar bem, nao gosto de falar com outras pessoas.
No fim, o que define o impacto disso tudo é a sorte e isso pode tanto ser positivo quanto negativo. Como é possível ver na história que contei, em nenhum momento eu busquei a vaga na empresa que estou hoje, foram as pessoas que me procuraram. Se a responsável pelo processo seletivo mudasse, se meu entrevistador não gostasse de basquete, se meu gestor fosse demitido, se a sede diz não para a criação da minha vaga, existiram diversos momentos em que apenas uma pequena mudança já faria com o que eu não estivesse aqui hoje.
É por isso que eu sempre digo para as pessoas não se focarem nas "histórias de sucesso" que vêem por aí, pois muitas vezes elas são embelezadas com mentiras ou com a omissão de detalhes cruciais que explicam como realmente aquela pessoa chegou até ali. Seguir os mesmos passos que alguém não significa que ambos chegaram no mesmo lugar, existem muitos fatores, internos e externos, que fazem com que cada pessoa siga o seu próprio caminho, para o bem e para o mal.
Por isso, olhem mais para si mesmos, não basta seguir os passos de alguém se o seu acaso não acabar sendo o mesmo acaso daquela pessoa. Confie no seu próprio potencial, foque no seu desenvolvimento, pois assim, quando a sorte sorrir para você poderá recebê-la de braços abertos.
Lembrando sempre que tudo que foi relatado aqui é a minha experiência e o meu ponto de vista, todos são livres para concordar ou discordar, a ideia desse texto não é para afirmar nada, mas para fazer você pensar um pouco sobre o assunto, reconsiderar ou reafirmar suas filosofias e então, tomar melhores decisões no futuro.