mude o
mude o
sentimento do
“eu”.
Se você disser “eu” para tudo o que pensa, sente, diz ou imagina, não
poderá transformar a sua vida emocional. Lembre-se de que todos os
tipos de pensamento podem penetrar na sua mente e todos os tipos de
emoções podem penetrar no seu coração. Se você disser “eu” para todos os
pensamentos negativos, vai estar se identificando com eles. Você pode se
recusar a vincular o “eu” a emoções e pensamentos negativos.
Você criou naturalmente o hábito de evitar os locais lamacentos quando
caminha na rua; do mesmo modo, deve evitar andar nos caminhos
lamacentos da mente nos quais espreitam e se deslocam o medo, o
ressentimento, a hostilidade e a má vontade. Recuse-se a prestar atenção
aos comentários negativos. Não toque nas disposições de ânimo negativas
nem deixe que elas o toquem. Pratique a separação interior buscando um
novo sentimento a respeito de si mesmo e do que você realmente é.
Comece a compreender que o verdadeiro “eu” em você é o espírito infinito,
o ser infinito. Passe a se identificar com as qualidades e atributos desse Ser
infinito e toda a sua vida será transformada.
O segredo da transformação da sua natureza emocional negativa repousa
na prática da auto-observação. Observar, e especificamente observar a si
mesmo, são duas coisas diferentes. Quando você diz “eu observo”, está
querendo dizer que presta atenção às coisas externas. Na auto-observação, a
atenção é dirigida para dentro.
Uma pessoa pode passar a vida inteira estudando o átomo, as estrelas, o
corpo e o mundo exterior dos fenômenos. Esse conhecimento não é capaz
de produzir uma mudança interior, a mudança de atitude.
É preciso aprender a diferenciar, discernir e separar o joio do trigo. Você
pratica a arte da auto-observação quando começa a se perguntar: “Essa
ideia é verdadeira? Ela vai me abençoar, curar e inspirar? Vai me trazer paz
de espírito e contribuir para o bem-estar geral da humanidade?”
Você vive em dois mundos, o exterior e o interior; no entanto, eles são
um só. Um é visível e o outro invisível (objetivo e subjetivo). O seu mundo
exterior penetra através dos seus cinco sentidos e é compartilhado por
todos. O seu mundo interior de pensamentos, sentimentos, sensações,
crenças e reações é invisível e pertence apenas a você.
Pergunte a si mesmo: “Em que mundo eu vivo? Vivo apenas no mundo
revelado pelos meus cinco sentidos ou no mundo interior?” É no mundo
interior que você vive o tempo todo, e é lá que você sente e sofre.
Suponha que você tenha sido convidado para um banquete. Tudo o que
você vê, ouve, saboreia, cheira e toca pertence ao mundo exterior. Tudo o
que você pensa, sente e despreza pertence ao mundo interior. Você
comparece a dois banquetes, registrados de maneiras diferentes: um é
externo e o outro é interno. É no mundo interior do pensamento,
sentimento e emoção que você tem altos e baixos, indecisões, incertezas e
hesitações.
Para se transformar, você precisa começar a mudar o mundo interior por
meio da purificação das emoções e da ordenação correta da mente com o
pensamento correto. Se você quer crescer espiritualmente, precisa se
transformar.
Transformação significa mudança de uma coisa em outra. Existem
inúmeras transformações da matéria muito conhecidas. O açúcar, por meio
do processo da destilação, se transforma em álcool, o rádio se converte
lentamente em chumbo etc. O alimento que você come é progressivamente
transformado em todas as substâncias necessárias para a sua existência.
As experiências que você vivencia como impressões precisam ser
analogamente transformadas. Quando você vê, por exemplo, uma pessoa
que aprecia e admira, recebe impressões a respeito dela; quando encontra
alguém de quem não gosta, também recebe impressões.
O seu marido e a sua filha que estão sentados no sofá enquanto você lê
estas linhas são para você o que você concebe que eles sejam. Em outras
palavras, as impressões são recebidas pela sua mente. Se você fosse surdo,
não ouviria as vozes deles. Você pode mudar as suas impressões sobre as
pessoas. Transformar a sua impressão significa transformar a si mesmo. Para
mudar a sua vida, modifique a maneira como você reage a ela. Você
percebeu que reage de maneira estereotipada? Se as suas reações são
negativas, assim é a sua vida. Nunca permita que a sua vida consista em
uma série de reações negativas às impressões que você recebe a cada dia.
Para realmente observar a si mesmo, você precisa garantir que, não
importa o que aconteça, os seus pensamentos estejam fixos na grande
verdade envolvida na pergunta: “Como é isso em Deus e no céu?” Essa
postura vai elevá-lo e transformar todas as suas emoções e pensamentos
negativos. Você pode ter a tendência a dizer que outras pessoas são
culpadas pela sua negatividade por causa da maneira como falam ou agem,
mas, se o que elas dizem ou fazem exerce um efeito negativo em você, isso
significa que você está interiormente perturbado; você vive, se desloca e
está completamente envolvido nesse estado negativo.
Você não pode se permitir ser negativo, porque esse estado mental esgota
a sua vitalidade, elimina seu entusiasmo e o deixa física e mentalmente
doente. Você vive no local onde está agora ou nos seus pensamentos,
sentimentos, emoções, esperanças e desespero? Não é o que você sente a
respeito do seu ambiente que é real para você agora? Quando diz: “Eu me
chamo João da Silva”, o que você está querendo dizer? Não é verdade que
você é produto do seu pensamento, somado aos costumes, às tradições e à
influência daqueles que o cercavam enquanto você crescia? De fato, você é
a soma das suas convicções e opiniões, mais o que extraiu da sua educação,
condicionamento ambiental e do sem-número de outras influências do
mundo exterior que atuam sobre você e o penetram através dos seus cinco
sentidos.
Talvez você esteja, agora, se comparando com outras pessoas. Você se
sente inferior na presença de alguém que parece mais ilustre? Imagine que
você é um excelente pianista: quando alguém elogia outro pianista, você se
sente inferior? Se você tivesse o verdadeiro sentimento do “eu”, isso não
aconteceria, porque o verdadeiro sentimento do “eu” é o sentimento da
presença do Ser infinito em você, no qual não existem comparações.
Ouspensky costumava ressaltar que as pessoas ficam facilmente
perturbadas porque o sentimento do “eu” delas procedia de estados
negativos de consciência. “O sentimento do ‘eu’” era uma das suas
expressões prediletas, e algumas das suas ideias estão incorporadas a este
texto.
Recentemente, eu disse o seguinte a um homem na nossa aula de
estudos bíblicos: “Você observou a sua reação típica às pessoas, às notícias
de jornal e aos programas de rádio? Percebeu que o seu comportamento é
repetitivo, estereotipado?”
O homem respondeu: “Não, não tinha reparado nisso.” Ele se aceitava
como era sem refletir, e não estava crescendo espiritualmente. Começou a
pensar a respeito das suas reações quando admitiu que muitas notícias de
jornal e programas de rádio o irritavam profundamente. Ele estivera
reagindo automaticamente e não se disciplinava quanto a isso. Não faz
diferença se todos os redatores e locutores estavam errados e apenas ele
estava certo, porque a emoção negativa despertada nele era destrutiva e
demonstrava falta de disciplina mental e espiritual.
Quando você diz “Eu penso o seguinte...”, “Eu acho que...”, Eu me
ressinto de...” ou “Não gosto de...”, qual “eu” está falando? Não se trata de
um “eu” distinto falando em cada momento? Cada “eu” é inteiramente
diferente. Um “eu” em você faz uma crítica em um determinado instante;
alguns minutos depois, outro “eu” fala com ternura. Observe e entenda os
seus diferentes “eus” e se sinta seguro, bem no fundo, de que determinados
“eus” nunca vão dominar, controlar ou influenciar o seu pensamento.
Dê uma boa olhada nos “eus” com os quais você está se associando. Com
que tipo de pessoas você se relaciona? Estou me referindo às pessoas que
residem na sua mente. Lembre-se de que ela é uma cidade habitada por
pensamentos, ideias, opiniões, sentimentos, sensações e convicções. Alguns
dos lugares na sua mente são antros sombrios e ruas perigosas. No entanto,
Jesus (o seu desejo) está sempre percorrendo as ruas da sua mente na
forma do seu ideal, meta e objetivo na vida.
Um dos significados de Jesus é o seu desejo, porque este, quando
realizado, é o seu salvador. As suas metas e objetivos na vida estão agora
acenando para você; avance em direção a eles. Dedique atenção ao seu
desejo; em outras palavras, assuma um intenso interesse por ele. Percorra
na sua mente as ruas do amor, da paz, da alegria e da boa vontade e você
vai encontrar pessoas maravilhosas no caminho. Vai caminhar por lugares
belamente iluminados e ver cidadãos admiráveis nas melhores ruas da sua
mente.
Nunca permita que a sua casa, que é a sua mente, fique cheia de criados
sobre os quais você não tem controle. Quando você era jovem, sua mãe lhe
ensinou a não andar com o que ela chamava de “más companhias”. Agora,
quando começar a despertar para os seus poderes interiores, faça questão
de não andar com os “eus” (pensamentos) errados existentes em você.
Sempre que estiver prestes a ficar zangado, negativo, deprimido ou
irritado, pense em Deus e no céu, e pergunte a si mesmo: “Como é isso em
Deus e no céu?” Aí está a chave para se tornar uma nova pessoa; é assim
que você renasce espiritualmente ou vivencia o que é chamado de segundo
nascimento. (O segundo nascimento é a disciplina interior e o entendimento
espiritual.)
O santo e o pecador estão dentro de todos nós, e o mesmo podemos
dizer do assassino e do monge; da mesma forma, Deus e a mente mundana
também estão. Todos os homens desejam fundamentalmente ser bons,
expressar e fazer o bem. Esse é o “positivo” em você. Se você praticou atos
destrutivos, por exemplo, se roubou, traiu e enganou outras pessoas, e
todos agora o condenam e pensam mal de você, é possível se erguer da
sordidez da sua mente e ascender ao lugar elevado na sua consciência onde
você deixa de se condenar; todos que o acusam terão então que se calar.
Quando você para de se acusar, o mundo deixa de incriminá-lo, porque
esse é o poder da sua consciência, é o Deus em você.
É bobagem condenar a si mesmo; você não precisa fazer isso. É inútil ter
como companhia pensamentos de autoacusação. Imagine que você tenha
cometido atos injustos, criminosos ou praticado outras ações desumanas.
Não foi o Deus em você que fez essas coisas, nem o verdadeiro “eu” ou o
Ser infinito; foi o outro eu (a mente mundana) em você. É claro que isso
não o isenta da responsabilidade, do mesmo modo que você vai se queimar
se puser a mão no fogo ou, se avançar um sinal vermelho, receber uma
multa por ter cometido uma infração de trânsito.
O outro eu representa os diversos “eus” em você. Podemos citar como
exemplo as inúmeras ideias e crenças negativas de que existem poderes fora
da sua consciência, como a convicção de que as outras pessoas podem ferilo, de que os elementos são hostis, além das superstições, do medo e de
todos os tipos de ignorância. Finalmente, os preconceitos, o medo e o ódio
o motivam e incitam a fazer aquilo que você normalmente não faria. A
maneira ideal de modificar o sentimento do “eu” é ligar ao verdadeiro “eu”
que existe em você tudo o que é nobre, maravilhoso e divino.
Comece a afirmar: “Sou forte. Sou entusiasmado. Sou feliz. Sou
inspirado. Sou iluminado. Sou amoroso. Sou bom. Sou harmonioso.” Sinta
esses estados mentais; proclame-os e acredite neles, e você começará a viver
verdadeiramente no jardim de Deus. Aquilo que você ligar ao “EU SOU” e
acreditar, será real. O “EU SOU” em você é Deus, e não existe nenhum outro.
O “EU SOU” ou vida, consciência, ser puro, existência ou o seu verdadeiro eu
é Deus. Ele é a única causa. Ele é o único poder capaz de criar no mundo.
Reverencie-o; viva o dia inteiro com o sentimento de “EU SOU iluminado”, e
maravilhas acontecerão na sua vida. Sinta que você recebe inspiração do
Alto e continue a viver nessa atmosfera mental, quando então vai extrair a
sabedoria, a verdade e a beleza da sua mente mais profunda. Todo o seu
mundo será transformado por meio da contemplação interior das verdades
de Deus.
À medida que você continuar a modificar o sentimento do “Eu” como
ensinado anteriormente, vai povoar e iluminar todas as áreas da sua mente
com as verdades eternas de Deus: “Não temas, porque eu te redimi...
Quando passares pelos rios, eles não te submergirão; quando andares
através do fogo, não te queimarás” (Isaías 43.1,2). Essa é a presença de
Deus que sempre segue na sua frente aonde quer que vá. A sua atitude
mental ou atmosfera segue na sua frente o tempo todo, criando as
experiências que você vai encontrar.
Tenha em mente que, quando você reza por uma coisa específica, é
necessário qualificar a sua mente com a consciência ou sentimento de ter ou
ser essa coisa. Sua mente rejeita por inteiro os argumentos que surgem nela
contra a sua ideia; isso é a oração. Qualifique a sua consciência com o
objetivo pelo qual você está rezando: pense e reflita a respeito dele com
interesse. Faça isso tranquila e regularmente até chegar a uma convicção na
consciência. Quando você conseguir isso, o problema vai deixar de
incomodá-lo. Você vai manter o equilíbrio mental, acrescido do seguinte
sentimento: “Sinto agora que sou o que almejo ser.” À medida que
continuar a se sentir dessa maneira, você se tornará o que sente ser.
Esta é a lei: “Eu sou aquilo que sinto ser.” Para praticar, mude o
sentimento do “eu” todos os dias, afirmando: “eu sou espírito; eu penso,
vejo, sinto e vivo como espírito, a presença de Deus.” (O outro eu em você
pensa, sente e age como a mente da maioria.) Ao continuar a fazer isso,
você vai começar a sentir que se identifica com Deus. Assim como o sol nos
céus redime a Terra da escuridão e da penumbra, a percepção da presença
de Deus em você revela quem você sempre desejou ser — a pessoa alegre,
radiante, tranquila, próspera e bem-sucedida cujo intelecto está iluminado
pela luz que emana do alto.
Deus faz o sol brilhar sobre todos os homens em toda parte. Ninguém
pode arrancar de você o brilho do amor de Deus. Ninguém pode colocá-lo
na prisão do medo ou da ignorância quando você conhece a verdade de
Deus que o liberta.
O sentimento de que o “EU SOU” em você é Deus lhe revelando que não
há nada a temer e que você é um só com a onipotência, a onisciência e a
onipresença. Ninguém pode roubar de você a saúde, a paz, a alegria ou a
felicidade. Você não vive mais com os inúmeros “eus” do medo, da dúvida e
da superstição; você vive agora na presença divina e na consciência da
liberdade.
Pergunte a si mesmo: “Quem cuida de mim em todos os momentos e
fala em nome dele, chamando-se de ‘eu’?” Jamais se identifique com os
sentimentos negativos, como o medo, o preconceito, o orgulho, a
arrogância, a condenação etc. Você compreende agora que não precisa ir na
direção dos “eus” negativos. Você nunca mais vai dizer “sim” a qualquer
pensamento inútil ou negativo, nem vai lhe dar validação ou aprovação.
Torne-se o observador mantendo os olhos fixos em Deus — o verdadeiro
“eu” —, o ser infinito que existe em você. Tenha o sentimento do “eu” no
lado que observa e não naquilo que você está observando. Sinta que está
olhando através dos olhos de Deus; por conseguinte: “Teus olhos são tão
puros que não consegues enxergar o mal, e a iniquidade não podes
contemplar”