O Trompete Na História
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O Trompete Na História

Se fecharmos os olhos e pensarmos em um som de instrumento musical que transmite ao mesmo tempo ações de força militar, talvez em tempos de guerra, proclamação de cerimônias, como casamentos e coroações, sinalização de presença de autoridades...

Gesiel
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Se fecharmos os olhos e pensarmos em um som de instrumento musical que transmite ao mesmo tempo ações de força militar, talvez em tempos de guerra, proclamação de cerimônias, como casamentos e coroações, sinalização de presença de autoridades, além ser associado a triunfo, heroísmo, e poder, chegaremos fácil fácil a imagem do trompete.

Na antiguidade, o trompete era utilizado em rituais pagãos como um instrumento para enviar mensagens ao mundo dos espíritos, tendo seu som relacionado com a magia. O conceito de força e poder, associado a ele, só ganhou este status no final da Idade Média. 

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Seu nome origina-se da trombeta, um tubo de metal cilíndrico reto, com uma campana cônica. Algo semelhante, com formato curvo, apareceu pela primeira vez no século XI ao sul da Itália, ganhando o nome de “bucina romana”.

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No século XV, com o desenvolvimento e domínio da manufatura em metal, este ganhou um espiral duplo, e o que até o momento alcançava cerca de quatro notas harmônicas naturais, passa a uma gama ainda maior com este aperfeiçoamento. Após algumas décadas de tentativa e erro, adapta-se uma campana e um tubo bocal, ambos removíveis, mais longos, ganhando assim a capacidade em se atingir um maior número de notas.   

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No século XVI os corneteiros se dividiam em duas classes de especial prestígio: os da corte, e os de campo, ou militares.

Como símbolo de grandeza, as cortes europeias tinham a sua disposição um grupo de corneteiros especialmente selecionados e treinados dentre os jovens da sociedade com reputação e honra ilibada, pois este ofício trazia grande privilégio por acompanhar os reis e imperadores por toda a parte.

No século XVI a corte de Viena contava com seis corneteiros mais um percussionista. Em meados do século XVIII, chegou-se a dezesseis corneteiros e dois percussionistas, criando o que conhecemos hoje como “fanfarra”.

Militares equiparados a oficiais, os corneteiros de campo tinham muitas obrigações, inclusive em tempos de guerra, e, como hoje, haviam direitos e consequências penais exclusivas a esta classe.

Neste período também, surgiu um bocal estreito em forma de taça com um ângulo agudo que propiciava atingir notas mais altas, trazendo uma divisão mais clara entre as duas classes de corneteiros: os da corte assumiram estas notas e passaram a tocar o que conhecemos hoje como “clarim”, e os corneteiros de campo ficaram com as notas mais graves do instrumento, porém estavam liberados para executar seu instrumento em cerimônias, exceto nas festivas como casamentos e batismos.

Os instrumentos da corte estavam afinados em C ou D, enquanto os de campo estavam em Eb ou F, sendo necessário alternar os músicos executantes durante a peça musical até os primeiros anos do século XIX, quando em 1814-1818 Heinrich Stoelzel e Friedrich Bluhmel, criaram o sistema de válvulas.

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Antes do sistema de Stoelzel, já haviam peças musicais para o então “trompete natural”, ou “trompete barroco”, e os mais conhecidos compositores para este instrumento foram os austríacos Leopold Mozart (1719-1787), e Michael Haydn(1737-1806).

O recurso de deslizamento de tubo para alcançar notas mais graves, algo que foi se aperfeiçoando desde o início do século XVII, e o acréscimo das válvulas que permitiam o músico alcançar notas mais agudas com maior facilidade, trouxe popularidade ao instrumento, a ponto de, no século XIX, se tornar indispensável à orquestra.

Já gozando de grande prestígio, no Período Romântico muitas peças foram escritas para se aproveitar da imponência de seu maravilhoso som, destacando-se nestas composições, nomes como Berlioz, Rossini, Wagner, Verdi, e Gustav Mahler.

Em 1839, o francês Périnet, patenteou um sistema de pisto que possibilita a execução da escala cromática com perfeição. Os trompetes com sistema Périnet são amplamente utilizados nos países ocidentais e em todos os estilos musicais pela facilidade em executar cromatismos em regiões graves ou agudas.

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Em contraponto, há o trompete de rotor, com o tubo um pouco mais largo, muito utilizado no começo do século XX e bem popular na Alemanha, sendo preterido pelos músicos devido a resposta mais lenta deste sistema de funcionamento.

Outro recurso bastante utilizado é a surdina, ao contrário da trompa onde o músico utiliza a própria mão para abafar o som, o trompete tem um equipamento próprio para modifica-lo.

A importância deste instrumento é tamanha que quase todos os compositores de música erudita, a partir do barroco, escreveram para este instrumento. E ainda hoje é utilizado em cerimônias, religiosas ou temporais, e não há instrumento de comandamento de tropas e manobras militares que se iguale ao trompete, tendo posição específica para músicos com qualidade e competência na execução desta função, algo que se tornou um clássico por ser utilizado desde o início da história conhecida.


REFERÊNCIAS:


https://www.thoughtco.com

https://www.vsl.co.at