O que a sucessão no Reino Unido pode nos ensinar
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O que a sucessão no Reino Unido pode nos ensinar

A renúncia de Boris Johnson e a disputa pela liderança do Partido Conservador para definição do novo primeiro-ministro do Reino Unido não provocaram um caos político no país. Tudo está sendo resolvido como sempre foi.

Bruno Garschagen
2 min
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A renúncia de Boris Johnson e a disputa pela liderança do Partido Conservador para definição do novo primeiro-ministro do Reino Unido não provocaram um caos político no país. Tudo está sendo resolvido como sempre foi.

No Brasil, cada troca de presidente, mesmo que por meio de eleição regular, é aquela confusão de sempre, com algumas eleições piores do que outras.

O que está acontecendo lá pode, inclusive, nos trazer alguns ensinamentos a partir da comparação entre a forma de governo inglesa e a nossa:

1- Na monarquia parlamentar inglesa, o primeiro-ministro é só chefe de governo e a Rainha é chefe de estado enquanto que na república presidencialista brasileira o presidente é chefe de governo e de estado.

2- No Reino Unido, o primeiro-ministro não é eleito por voto direto, mas o partido indica o seu líder quando os seus candidatos conquistam a maioria das cadeiras no parlamento por meio da eleição nos seus respectivos distritos eleitorais. No Brasil, o presidente é eleito por voto direto pela maioria dos eleitores do país.

3- Quando a conduta ou decisões do primeiro-ministro se mostram equivocadas, ele renuncia ou é afastado pelo partido, que escolhe o sucessor dentre as opções da legenda. A escolha do substituto não é, portanto, um problema e nem depende da escolha do chefe do poder executivo, como costuma acontecer aqui.

4- Pode parecer contraintuitivo, mas é a estabilidade, regras e incentivos do presidencialismo que tornam mais difícil e mais demorado resolver crises políticas. Já o parlamentarismo, pelas regras e incentivos que tornam o modelo mais instável, permite resolver crises de forma menos difícil e mais rápida.

5- Por essas razões e pela nossa história, considero o parlamentarismo preferível ao presidencialismo. Se hoje não é possível restaurar o modelo da nossa Monarquia, se adotássemos uma forma de parlamentarismo (como o semipresidencialismo português) já teríamos um modelo mais adequado do que o que temos hoje.