Foi assim que Abel Ferreira respondeu a uma das perguntas feitas por jornalistas após a classificação heróica à mais uma semifinal da Libertadores.
Foi assim que Abel Ferreira respondeu a uma das perguntas feitas por jornalistas após a classificação heróica à mais uma semifinal da Libertadores.
|
|
|
(Foto: Carla Carniel/Reuters) |
Você pode achar estranho, sem nexo. Sim, pode ser. Para pessoas consideradas "normais", realmente é.
Mas para mentes diferentes e intensas, não.
O técnico bicampeão da Libertadores da América sabe bem como mexer com a mente dos seus comandados. Curiosamente, Abel comentou que antes do jogo citou aos atletas uma frase do livro de Antoine de Saint-Exupéry.
“A única coisa que eu exijo é o melhor que cada um pode dar. O pior que pode acontecer é eu ficar em segundo para mim mesmo.” - Abel Ferreira, na coletiva de imprensa após o jogo entre Palmeiras x Atlétic0-MG pelas quartas de final da Libertadores da América
A frase de Abel Ferreira foi refletida dentro de campo. Mesmo com as duas expulsões (de Gustavo Scarpa e Danilo), via-se um grupo empenhado em cumprir o propósito: lutar até o fim. Os jogadores pareciam não sentir a ausência de dois atletas fundamentais. E não é fácil lutar contra adversidades sem que a própria mente sabote a cabeça de qualquer ser humano.
Quando você tem "coração quente e cabeça fria", porém, o impossível se torna um combustível para a condução de um carro lotado de seres humanos empenhados no maior objetivo. O trabalho se torna uma obsessão.
Sob o mantra "lutem sem parar", ecoado durante o segundo tempo inteiro e as penalidades, o Palmeiras conseguiu a classificação para mais uma semifinal. O resultado positivo pode ser considerado sorte ou qualquer outro substantivo. Mas não é. Refletiu-se, mais uma vez, um elenco forjado para enfrentar qualquer adversidade.
“Você é do tamanho dos seus pensamentos”. - afirmou Abel Ferreira
E os pensamentos do Palmeiras - desde a chegada de Abel ao clube durante a pandemia - são de entrega, paixão, coração e muito amor ao futebol. Não vivem o clube de qualquer forma. Vivem da única forma como todos nós deveríamos viver nossas vidas: intensamente.
O texto informal serve apenas para agradecer - e elogiar incansavelmente - um dos maiores técnicos da história do futebol brasileiro. Não somente pelas conquistas dentro de campo. Vale destacar, principalmente, a forma como Abel Ferreira enxerga o ser humano. As relações humanas. Ele sabe que todos temos defeitos, erros, medos, vícios (E ele também tem vários!)
E não julga, não condena, não expõe os seus comandados. O treinador português sabe como liderar, de fato, um elenco de seres humanos falíveis.
Por isso, independentemente do desfecho ao final da temporada - seja campeão brasileiro e da Libertadores ou sem conquistar nada - Abel Ferreira construiu o próprio legado com apenas 43 anos.
O treinador impactou muitos setores do futebol brasileiro, seja com sugestões, visão de mundo e até críticas pesadas. Desde os “adeptos” (como ele gosta de chamar), funcionários do clube, até o alto escalão do esporte.
Goste você ou não, o homem do “coração quente e cabeça fria” é uma realidade necessária em tempos de críticas "por criticar".
Há quem viva a vida com medo e receios de encarar os desafios.
Mas Abel nos ensina - pelo esporte - que devemos nos dedicar intensamente em nossas vidas e não nos preocuparmos no ponto final.
Ainda bem que ainda desfrutamos a presença de Abel Ferreira no futebol nacional enquanto ainda estiver por aqui. E espero que fique por muito mais tempo.