As cinco razões da emoção (Parte I)
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As cinco razões da emoção (Parte I)

Carl Jung disse que “Até você se tornar consciente, o inconsciente irá dirigir a sua vida e você vai chamá-lo de destino”. Nossas emoções tomam conta de nosso dia-a-dia com uma intensidade tão grande que acabam por ditar nossas atitudes de um...

Danilo Reis
5 min
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Carl Jung disse que “Até você se tornar consciente, o inconsciente irá dirigir a sua vida e você vai chamá-lo de destino”. Nossas emoções tomam conta de nosso dia-a-dia com uma intensidade tão grande que acabam por ditar nossas atitudes de uma forma natural, a qual muitas vezes aceitamos como nossa naturalidade. O maior problema disso que, por mais que sejam fruto de nossa personalidade, essas emoções muitas vezes destroem a nossa qualidade de vida. Nossa ansiedade não nos permite conseguir ter um momento de tranquilidade, nossa falta de foco nos faz procrastinar, nossa baixa extroversão faz com que sejamos pessoas mais individuais e nos relacionamos menos com os outros. Todos esses fatores acabam influenciando em como nos relacionaremos com os outros, com nossas demandas e podem destruir de vez todos os nossos relacionamentos, sejam pessoais ou profissionais.

Muitos estudos modernos e tradicionais em psicologia e neurociência apontam para cinco dimensões básicas da personalidade. A evidência desta teoria tem crescido ao longo dos anos com o surgimento da teoria dos princípios em 1949 por D. W. Fiske (1949) e posteriormente ampliada por outros pesquisadores, incluindo Norman (1967), Smith (1967), Goldberg (1981), e McCrae & Costa (1987). Estes cinco traços da personalidade são os principais pontos que definem como somos. Seu principal fator é o genético, ou seja, herdamos esses níveis de personalidade de nossos progenitores e acabamos moldando-os no decorrer de nossas vidas graças à uma habilidade natural do cérebro chamada neuroplasticidade. Podemos sim moldar nossas emoções ao longo do tempo de diversas formas, então não me venha com seu papinho Gabriela Cravo e Canela de que nasceu assim, cresceu assim e vai ser sempre assim. Hoje vou iniciar uma série do Day One em que falarei dos cinco traços de personalidade e como eles afetam diretamente nossa vida.

EXTROVERSÃO

O primeiro deles, com certeza é o mais famoso. A extroversão é a capacidade de interação e participação de um indivíduo em um grupo social. Uma pessoa com altos níveis de extroversão, não preciso muito me prolongar, é a típica gente boa. Geralmente, são pessoas que se sentem bem em ambientes cheios, com várias pessoas, adoram a interação com outros. É facilmente identificável e amplamente reconhecível como “alguém que fica energizado na companhia de outros”. Eles prosperam por serem o centro das atenções, gostam de conhecer novas pessoas e de alguma forma tendem a ter o maior grupo de amigos e conhecidos que você já conheceu. Já uma pessoa com baixa extroversão, são os introvertidos. Muitas vezes confundimos pessoas com baixa extroversão com timidez, são coisas completamente diferentes. Podemos ser introvertidos, mas não termos timidez para falar em público, interagir com outras pessoas. Essa é exatamente a minha personalidade. Não tenho timidez ou qualquer medo de falar em público, ou interagir com novas pessoas, porém, não é algo que me energiza. O extrovertido, à medida que interage com as pessoas, ele se sente melhor e tem vontade de fazer isso mais e mais, tipo uma droga. Enquanto os introvertidos, tipo eu, após uma reunião com várias pessoas ou um evento social com muitas interações, se sente esgotado, com a necessidade de ficar recluso. Ficar sozinho por horas, dias, meses é algo essencial para o introvertido, enquanto para os extrovertidos é péssimo. Eles precisam interagir. Mas lembre-se, nada em excesso é benéfico: pessoas com níveis altíssimos de extroversão podem se tornar pessoas com baixa concentração para trabalhos individuais, de tal forma que, pessoas com níveis baixíssimos de extroversão tendem a se isolar demais da sociedade, perdendo as grandes oportunidades do networking profissional ou pessoal. Os extrovertidos tendem a ter papéis muito públicos, incluindo áreas como vendas, marketing, ensino e política.

Mas não ache que só porque você tem altos níveis de extroversão, você será um ótimo vendedor ou político. Imagine que cada uma das cinco personalidades é como aquelas barrinhas de energia do vídeo game. Cada um de nós tem um nível especifico e isso é que molda como nós somos. Esses fatores unidos é que dirão o quão seremos capazes de assumir os postos que almejamos e o quanto seremos bons no que fazer ou com quem nos relacionamos. Cada um desses pontos que abordaremos nos próximos newsletters nos dirão que tendemos a ser, mas não realmente quem seremos. Tudo vai depender de como você se comporta em relação à essas dimensões básicas da personalidade. O primeiro passo é entender em qual local você está, o segundo é aceitar que você nasceu assim, mas é capaz de se adaptar com o tempo. Eu entendo que sou relativamente introvertido e isso me afeta em questões de network. Sei que não vou me sentir bem em um ambiente com pessoas desconhecidas, mas sei também da necessidade de interação. Após ter consciência disso, posso guiar melhor minhas atitudes para obter resultados melhores. Seguindo o exemplo, em um evento de networking, eu como um introvertido, me colocarei à prova e tentarei interagir com o máximo de pessoas novas que eu puder, ao ponto de criar algum vínculo e extrair o máximo de resultado, nem que depois eu precise ficar um mês em isolamento emocional para recuperar minha energia. Meu objetivo com essa série é que possamos passar a nos conhecer um pouquinho melhor e ajudar a tomarmos as melhores decisões, com mais consciência, razão e tranquilidade. Controlar nossas emoções e atitudes para depois não as chamar de destino. Nos vemos semana que vem!

Uma semana MEGA produtiva a todos! Vamos pra cima!