As cinco razões da emoção (Parte II)
2
0

As cinco razões da emoção (Parte II)

No último Day One, iniciamos essa série em que falaremos de cada umas das chamadas Big Fives, as cinco dimensões básicas de nossa personalidade. Cada uma dessas cinco dimensões pode ser medida individualmente e são represent...

Danilo Reis
6 min
2
0

No último Day One, iniciamos essa série em que falaremos de cada umas das chamadas Big Fives, as cinco dimensões básicas de nossa personalidade. Cada uma dessas cinco dimensões pode ser medida individualmente e são representadas em níveis de zero a cem. Nosso cérebro é praticamente moldado em relação a cada uma dessas personalidades. Em um estudo publicado na Psychological Science, neurocientistas relatam que os extrovertidos tendem a possuir um córtex orbitofrontal maior que a média. Por exemplo, se sou uma pessoa extrovertida, essa área do cérebro além de ser maior, é muito mais ativa e intensa, o que acaba gastando menos energia quando utilizada em momentos de alta interação social, pois é uma condição natural no meu cérebro que os impulsos eletromagnéticos estejam mais ativos nesta região. Por outro lado, existirá uma compensação de energia que será reduzida em uma outra região cerebral, a qual a tornará menos ativa e consequentemente gastará mais energia em momentos a qual essa região será necessária – e pelo fato de nosso corpo sempre buscar a economia de energia, tenderá a tornar esta área menos ativa sempre que puder –, moldando assim nossa personalidade. Portanto, podemos medir e identificar quais são os nossos níveis em cada uma das personalidades, o que nos ajudará a entender porque somos do jeito que somos e como podemos nos adaptar a essa condição e desenvolver aptidões que naturalmente seriam passivas ou até antagonistas para nossa qualidade de vida.

Email image

CONSCIENCIOSIDADE

Sabe aquele cara que acorda todos os dias religiosamente às 4h da manhã para correr 10km, nadar 1,5km, chegar em casa às 6h, preparar o café da manhã da família e chegar impreterivelmente no trabalho às 7h30min mesmo após ter deixado os filhos na escola? Aquele cidadão que nunca se atrasou para uma reunião, que come sua dieta na hora exata que o nutricionista passou? Aquela pessoa que consegue cumprir toda a lista de pendências parecendo uma máquina sem procrastinar por um mínimo segundo? A conscienciosidade é a dimensão da personalidade responsável pela disciplina e metas. Pessoas com altos níveis de conscienciosidade tendem a ser pessoas naturalmente bem sucedidas no trabalho e na saúde. São as pessoas que conseguem produzir absurdamente sem precisar se esforçar muito. Se irritam com falta de compromisso, pontualidade de disciplina. Não procrastinam e são extremamente organizadas em todas as esferas da vida. Pessoas com baixos níveis de conscienciosidade tendem a procrastinar mais, ser desorganizadas e pouco pontuais. Essas pessoas tendem a gastar muita energia em atividades de desafiadoras e tem um imã em seu cérebro que o atrai para o conforto. Tendem a ter aquela preguiça ou até mesmo

dificuldade de manter suas tarefas ou até a própria mesa organizada no trabalho. Procrastinam e não consegue passar mais do que alguns minutos focado totalmente em uma única atividade. Poderíamos dizer que uma pessoa com alta conscienciosidade são hiper focados e determinados. À primeira impressão, pessoal com alta conscienciosidade são maravilhosas, né? Todo mundo queria ser o super-homem ou a mulher maravilha da disciplina e organização. Porém, nada em excesso é benéfico. Pessoas com níveis extremos de conscienciosidade tendem a ser perfeccionistas e isso, na grande maioria das vezes, acaba desmotivando-as e levando-as a justamente procrastinar. Tentam tantas vezes chegar ao impecável que se frustram com o não atingimento da meta total e geram um desânimo digno de pessoas com baixa conscienciosidade.

Eu me coloco em um grau de baixa para média conscienciosidade. Para mim, sempre foi difícil ser pontual e a disciplina não é muito o meu forte. Preciso entrar em guerra com minha mente todos os dias para fazer o que acordei comigo. Eu enjoo facilmente da rotina e me pego procrastinando absurdamente em muitas tarefas que tenho que fazer, deixando tudo para os 45 do segundo tempo. Eu sou tipo aquele Monza 87 que precisa bater a chave umas cinco vezes pra pegar, esquentar o motor e aí sim começar a andar. Caso eu desista de bater a chave pela quinta vez, acabo ficando na cama e não vou pra academia ou fico lendo notícias ao invés de terminar algum trabalho importante (durante a elaboração deste Day One, eu me peguei mexendo no celular por cerca de vinte vezes). Essa é uma rotina que já me acostumei a fazer, essa guerra diária com meu cérebro tende a me deixar exausto, sugando minha energia. Eu forço constantemente o meu cérebro a fazer o córtex pré-frontal lateral entrar em atividade – e isso é contra o meu estado natural – o que me faz gastar muita energia. Portanto, em alguns momentos, principalmente nos finais de semana, tendo a não forçar tanto e muitas vezes passo o dia inteiro de um domingo procrastinando (nos dias em que o Day One atrasar, vocês já sabem o motivo!). Procuro também executar algumas técnicas de produtividade para procrastinadores, como é o caso da técnica Pomodoro, quando tenho algo muito importante ou urgente para realizar. Constantemente, eu mudo minha rotina. Algumas vezes começo a ler assim que acordo, treino durante a noite e medito assim que volto do treino. Outras vezes, passo a treinar logo cedo, leio durante o almoço e medito ao chegar do trabalho. Hoje em dia, tenho treinado durante o almoço e deixo para ler e meditar de noite. Essa mudança constante já se provou muito produtiva para mim, que tenho problemas com disciplina.

A barreira que te impede de atingir seus objetivos, na grande maioria das vezes, reside em sua própria cabeça. Eu sei que parece clichê, mas é a realidade. Nós somos seres humanos dotados de emoções extremas e cada um de nós tem a sua individualidade. Nossa genética, o meio em que vivemos, as pessoas que nos relacionamos, como nos comportamos, são todos fatores que definem nossa personalidade. O que muitas vezes é simples para você, pode ser muito difícil para o outro e a resposta está dentro de sua cabeça. Evite julgar as pessoas por elas não serem como você, na grande maioria das vezes, só lhes falta o conhecimento sobre si próprias. Se conhecer é entender seus pontos fortes e exaltá-los e detectar seus pontos fracos e se adaptar a eles. Então, da próxima vez que você assistir àquele coach motivacional que fica dizendo “é simples acordar 5h da manhã para correr, é só levantar”, saiba que pra ele pode ser simples, mas pra você não é, e isso é totalmente normal! É sim possível, não será fácil, mas o primeiro passo já foi dado, você entendeu como seu cérebro funciona em relação à disciplina e sabe também como o contato social pode influenciar a sua energia e a sua vida. Na próxima semana, falaremos de outra característica também importantíssima para o sucesso profissional. Espero que vocês estejam abertos para esse novo conhecimento!

Uma semana MEGA produtiva a todos! Vamos pra cima!