- Lá estava eu mais uma vez, a tocar meu velho violino em um cruzeiro do navio “Rotina II”, pelo mar mediterrâneo.
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Aqueles mesmos turistas de sempre conheciam e sabiam que o velho Branco estaria lá com o seu violino e suas histórias… faça sol, faça chuva ele estava lá.
E todos falavam a mesma coisa, que ele estava em todos os lugares e que sabia de tudo o que acontecia naquele navio.
Em uma de suas pausas, Branco viu uma senhorita sentada sozinha com uma xícara de café, e foi se sentar ao lado dela.
- Desculpe, eu a vejo de tempos em tempos neste mesmo cruzeiro, sempre só, porém, sempre acompanhada de seu café.
- Sim…sim, de tempos em tempos me pego a passear pelo mediterrâneo, neste mesmo bom e velho navio.
- Acredito que não seja só esse o motivo. Estou enganado?
- Não está! Aqui neste navio, encontro sempre ao mesmo horário um jovem pianista a tocar as minhas peças preferidas, de uma maneira que nunca havia ouvido antes.
- Ah sim! O nosso querido Benjamin. É um jovem de bom coração, e que tem um bom gosto para música.
- Mas…mas eu só o consigo encontrar no mesmo horário de sempre… às 19h30, nos jantares. Não o consigo encontrar em outro horário, é como se ele desaparecesse.
- ah sim! O bom e velho Benjamin.
- O que o senhor quer dizer com isso?
- Bom, você terá que o conhecer para saber.
- Vejo que a senhora está escrevendo algumas peças de piano.
- Sim, mas preciso que alguém as revise para mim.
- Porque não fala com o nosso Benjamin?
- E como o vou encontrar? Não o quero atrapalhar no meio do jantar.
- Vou lhe contar um segredo. Sussurrou o velho Branco.
- A senhora o pode encontrar logo após ao jantar, às 21h, a apreciar as estrelas, do lado de fora da sala de jantar, naquela porta logo atrás de seu piano.
- Permita-me perguntar seu nome?
- Meu nome é Cecília.
E lá estava o Benjamin, a tocar suas peças para os tripulantes do navio, no jantar, às 19h30. Como sempre, logo após o seu momento de tocar é como se ele desaparecesse de maneira instantânea.
Logo após o jantar, especificamente às 21h, Cecília sai para fora, pela porta por trás do piano, a procura do jovem Benjamin. E lá estava ele a apreciar as estrelas, tal como o Branco havia dito.
- Des… Desculpe, o senhor é o Benjamin?
- Pois não, senhorita. Sou eu mesmo!
- Meu nome é Cecília, eu gostaria de mostrar algumas peças nas quais eu tenho trabalhado, e gostaria que me ajudasse com elas.
- Claro! Seria um prazer! Eu sempre a vejo de tempos em tempos aqui em nosso cruzeiro.
E com os olhares entrelaçados, ali se iniciava uma história, daquelas que o próprio velho Branco se propunha a contar a todos os que ele chamava para perto de si…talvez por isso ele soubesse de tanta coisa que acontecesse naquele navio. Mas isso não explicava o fato dele estar em quase todos os lugares.
E não é que o velho Branco tinha razão?
O Benjamin realmente poderia ajudar a senhorita Cecília.
Após alguns dias em alto mar, boa música, boa comida e boa companhia, é chegado o final do cruzeiro.
E Cecília encontra mais uma vez o velho Branco, e diretamente o diz:
- O senhor é daquelas pessoas que eu teria um prazer enorme de considerar como amigo.
- E porque seria diferente? Afinal, estarei sempre aqui.
É passado algum tempo, e ali se encontra novamente a Cecília. Ela se encontra a jantar no bom e velho navio “Rotina II”, às 19h30. De fundo se encontra o bom mas não velho som do piano. Era um novo jovem contratado. O Benjamin não se encontrava mais a tocar o seu piano a bordo do cruzeiro pelo mediterrâneo.
Eram exatamente 21h, e o jovem terminava sua última peça no piano, e ao som dos aplausos é surpreendido por um jovem que vai falar com ele. Era o jovem Benjamin, que foi educadamente pedir para ele deixá-lo tocar uma peça no piano.
Ali estava novamente o jovem Benjamin de volta ao seu piano. Só que o jovem Benjamin não queria apenas tocar aquele piano, ele queria também fazer um pequeno discurso antes.
Sim, o mesmo jovem que desaparecia às 21h e ninguém o encontrava.
- Gostaria de dedicar esta peça a minha querida e amada esposa Cecília, que se encontra comigo aqui nesta noite. Sem ela o som das teclas do meu piano talvez não tivessem o mesmo som, nem o mesmo deleite ao tocar. Gostaria de agradecer e dedicar também esta peça ao bom e velho Branco, que de alguma maneira parece conhecer tanto de mim, que nem eu acredito conhecer tanto.
O jovem Benjamin não tocava mais seu velho piano a bordo do navio “Rotina II” aos jantares das 19h30. O jovem Benjamin agora se encontra tocando o seu novo piano, ao lado da senhorita Cecília, e juntos escrevem as mais belas peças de suas vidas.
O velho Branco…bom, o velho Branco se encontra em todos os lados, a fazer amigos e a contar histórias.
Talvez Cecília e Benjamin não teriam se conhecido se não fosse pelo velho Branco, ou talvez o velho Branco tenha dado sentido as peças de piano escritas em conjunto um com o outro.
By Guilherme dos Santos on July 9, 2019.