Observador
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Observador

Ela se levantou apressada para ir ao banheiro, pode se dizer que ela estava em dois mundos ao mesmo tempo: no real onde sua bexiga estava no limite, e no dos sonâmbulos. Três e quinze da manhã marcava o relógio em cima do móvel em frente sua ...

Marcio Atjes
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Ela se levantou apressada para ir ao banheiro, pode se dizer que ela estava em dois mundos ao mesmo tempo: no real onde sua bexiga estava no limite, e no dos sonâmbulos. Três e quinze da manhã marcava o relógio em cima do móvel em frente sua cama. Lembranças vagas de filmes de terror passaram pela sua mente quando se deparou com as horas, mesmo assim, seguiu meio errante na penumbra para satisfazer sua necessidade biológica. Quando cruzou a porta do quarto em direção ao banheiro, o tempo parou. Apenas seus grandes olhos castanhos, vagarosamente, se moviam para a esquerda. Com eles totalmente virados em direção a sala do pequeno apartamento, focalizou uma perturbadora figura. Ali naquele ambiente escuro, em silêncio, havia algo observando. A respiração era pesada. Não se distinguia se aquilo possuía uma face, mas ela sentia em seus ossos o olhar daquela coisa. Antes que ela percebesse, aquele ser estranho, sem se aproximar... Sussurrou em seu ouvido:

— Posso tocar nos seus pés descobertos?

Nesse mesmo momento ela despertou…

Era uma bela manhã de primavera.