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Condenar alguém por torcer por um time de outro lugar é atitude neofascista

By Mauro Cezar Pereira

Last update 4 days ago2 Min.

Patriotismo (ou regionalismo) exacerbado, posições xenófobas, violentas, desprezo pelas liberdades individuais, pela democracia. Criação de “inimigos” a partir de um discurso (conservador) que elege esses supostos oponentes como alvo. Radicalismo.
Características de seres que ignoram o direito dos demais, o direito de escolha, de ir e vir. Elementos que repelem o que não é de seu país, região, Estado, cidade. Há quem aja assim e não seja capaz de enxergar o que está evidente quando se depara com o espelho.
Quando um brasileiro resolve torcer pelo Barcelona, Bayern, Milan ou Chelsea ele está, pura e simplesmente, exercendo seu direito de escolha. A geografia e a distância física entre a pessoa e o clube não formam obstáculos intransponíveis. Mas há quem tente impor barreiras.
Para o futebol, em tese, o ideal seria que as pessoas torcessem pelos times de suas regiões. Acredito que isso fortaleceria as equipes em mais locais, ampliando as chances de outros elencos fortes e competitivos em diferentes pontos do país no caso brasileiro.
Mas ninguém manda no coração das pessoas. Torcedores em geral não escolhem, são escolhidos. O sujeito se envolve e fica apaixonado por uma camisa. Só isso explica tantos a seguir times que passam décadas sem triunfos relevantes, o que ocorre no Brasil e pelo mundo.
Aqui no país, há algum tempo, nota-se uma onda de perseguição aos que torcem por times de outros Estados. Elas são pautadas por atitudes agressivas, com faixas contendo insultos em estádios e manifestações em redes sociais, até por perfis oficiais. Algo covarde e pouco inteligente.
Pouco inteligente porque a intolerância afasta ainda mais esses torcedores. Fossem bem tratados, respeitados, poderiam ser atraídos a engrossar as arquibancadas de times locais em muitos jogos, exceto quando o adversário for o seu favorito, o de coração. Mas não tentam aproximá-los, os atacam.
Assim vão se distanciando. Não é para menos. Alguém acha que o sujeito que torce por um time de outra região se transformará em fanático pelo clube local à força? Virará casaca sob ameaças e insultos? Se apaixonará por outras cores porque alguém o rotula como "vergonha"?
Não, ele vai é se envolver mais e mais com o clube que está a quilômetros de distância, convencerá seus filhos a seguir seus passos e desenvolverá rivalidade, ou ódio, provavelmente recíproco, pelas agremiações locais. As características citadas no início do texto provocam isso. E elas são tipicamente neofascistas.