É latente nossa mania de atribuir à pessoas, mecanismos e organismos complexos que são compostos por vários agentes.
É latente nossa mania de atribuir à pessoas, mecanismos e/ou organismos complexos compostos e dependentes de vários agentes.
Desde que me lembro, sempre somos levados à resumir projetos, negócios e governos a uma pessoa. Silvio Santos e seu grupo de empresas são célebres exemplos. No entanto, pelo tamanho do grupo e das diversas atividades (incluindo até a de apresentador) é claro que o SBT e o grupo são muito maiores que ele.
Agora, por exemplo: "Biden é a solução para a América", "Biden vai legalizar 10 milhões de "indocumentados"(nem sabia que esta palavra poderia ser possível) e por aí vai. Da mesma forma que fulano ou ciclano fizeram tal e tal coisa.
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Em terras tupiniquins (adjetivo usado erroneamente já que temos várias tribos no país e não está correto atribuir a um só clã), o mesmo acontece com Dória em São Paulo, Bolsonaro em Brazólia e por aí vai. (liberdade poética para rimar Dória e Brazólia).
Esta mania da personalização sempre foi burra por várias razões.
Para começar a entender tudo isso (tentar, pelo menos) precisamos pensar em um fato recente que me espanta!
Nos demos conta que a globalização não é tão inclusiva e os algoritmos nos colocam em "bolhas". Com isso, a personalização passar a ter menos sentido ainda, do que antes, e o efeito mais visível disso é a tal polarização.
Como cátaros, determinamos que só há dois lados e se você não está de um, só pode estar de outro e sempre atribuído a um personagem. Como se a igreja não fosse, em sua essência, um coletivo.
Assim, além da polarização ainda temos a personalização. Atribuímos a um ou a outro estes lados e não a coletivos, estruturas ou afins.
É comum assistirmos as tentativas de assassinatos de reputação, baseadas na premissa que aquele fulano ou ciclano representa um dos lados.
É a Santa Inquisição da Igreja da Nossa Senhora das Redes Sociais.
Aquilo que devia ser um ecossistema, auto e retroalimentável, onde todas tribos pudessem propor debates democráticos, virou um octógono sem respeito.
Talvez, devêssemos considerar uma proposta da Criss Paiva, comediante:
"Vc não vê um fã do Iron Maiden impedindo um fã do Molejo de ir no show do Iron e nem no show do Molejo".
Me parece que a globalização não deu certo, ainda.
E, certamente não podemos mais viver nos binômios BolsoLula ou BolsoDória. Principalmente pelo fato de binômios serem: o primeiro é gênero e o segundo é espécie. Portanto, Lula e Dória são espécies do mesmo gênero.
Que Deus nos ajude!