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Minha toga, minha vida.

By HS Naddeo

Last update Last week4 Min.

Enquanto os operadores do direito ocuparem os principais postos de comando do país, o Brasil continuará sendo o paraíso dos corruptos. O caso de Rodrigo Pacheco não é diferente.
Pouca gente se deu conta, ou deu valor, quando Lula escalou Márcio Tomáz Bastos para o ministério da justiça. Nada menos que um dos maiores criminalistas da época, cuja especialidade era defender bandidos do colarinho branco, políticos corruptos e toda espécie de milionário que cometeu um grave deslize para precisar pagar o que ele cobrava.
De lá, até Sérgio Moro, passaram pelo ministério da justiça diversos advogados criminalistas. Nada de tributaristas, constitucionalistas ou outra especialidade que fizesse jus a cadeira que ocupou. E acabamos vendo isso até mesmo quando um ex-juiz sentou-se nela.
Defender bandido dá muito dinheiro. Defender conglomerados de empresas dá muito mais. Muito mais. Ambos cometem crimes indefensáveis que são transformados em defensáveis graças à infinidade de recursos protelatórios que o ordenamento jurídico proporciona a qualquer réu que tenha muito dinheiro, e, principalmente, ao tipo de relações que um advogado tem e que justifique cobrar tão caro.
Rodrigo Pacheco não é político. Não é um ser político. Foi eleito de forma esmagadora por ser a opção à Dilma Rousseff. Fosse outro o nome capaz de tirar dela a chance de ganhar uma vaga no senado, teria sido eleito.bas pessoas não elegeram Rodrigo Pacheco por Rodrigo Pacheco. Ele deve sua vaga à rejeição acachapante que o povo tem de Dilma Rousseff.
Então Rodrigo Pacheco, vindo de um único mandato de deputado federal, chega ao senado de Davi Alcolumbre, e em primeiro mandato como senador assume a presidência da casa. Um advogado criminalista, com passagem em cargos de gestão na OAB, com clientes como Vale do Rio Doce, que questiona  na justiça valores de indenizações  de 8 bilhões de reais para reparar o desastre ecológico e humanitário que causou.O escritório de advocacia do presidente do senado assina e representa 23 processos milionários no STF.
A eleição de Pacheco teve o apoio do governo federal, do presidente da república, da articulação do Palácio do Planalto para sua eleição. Derrotou Simone Tebet, do MDB. E colocou a bunda na cadeira central da mesa do Senado prometendo empenho nas reformas essenciais para o país propostas pelo governo. Mas, como fizeram muitos aliados de campanha de Bolsonaro ao serem eleitos, virou as costas para o governo. E passou a trabalhar na agenda de desestabilização de Bolsonaro, abaixando a cabeça para o STF e permitindo a instalação e a continuidade dessa CPI que busca desesperadamente um crime que não encontra porque não existe, e vai inventar um se precisar.
O que fez Rodrigo Pacheco mudar de ideia, de rumo, de compromisso?
O próximo mandato de presidente da república dará direito ao eleito escolher mais dois ministros do STF. E enquanto esse sistema de indicação e aprovação continuar como é, ainda com direito a um antiético palpite dos outros ministros da corte, Rodrigos Pachecos sempre terão a chance de ganhar uma toga para chamar de sua, e se alinharão a qualquer esquema que é o sonho de muito advogado, especialmente depois que passaram a nomear para o STF advogados que sequer conseguiram passar em concurso para juiz.
Prometeram uma toga para Rodrigo Pacheco. Mas devem ter prometido muito mais, afinal são 23 processos a serem julgados em favor ou desfavor de seus clientes envolvendo cifras bilionárias - que também geram honorários com tantos zeros antes da vírgula que muita gente simples não saberia nem contar.
Não há nada que esperar de Rodrigo Pacheco. Quando esteve no programa Os Pingos Nos Is seu comportamento de respostas protocolares, evasivas, embromólicas, mostrou que não é num líder, é só mais um soldado de um establishment desesperado querendo derrubar um presidente da república.
Se ele vai ganhar a toga ou não, só o tempo dirá. Mas com o afinco com que se dedica a atender os desejos de seus padrinhos, e, quem sabe, futuros colegas, no mínimo a apreciação dos processos de seu escritório serão feitas com olhares bem benevolentes.
No fundo, não são as pessoas que nos decepcionam. Na maioria dos casos nós é que fazemos uma avaliação errada das pessoas e acreditamos em quem claramente não tem condições de retribuir. Quem cria as expectativas somos nós mesmos.
Não percamos mais tempo com Rodrigo Pacheco tentando entender ou explicar seus comportamentos. Apenas cobremos dele para que não se esqueça que quem o colocou lá fomos nós, e porque não queríamos a Dilma.
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