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Pessoas Virtuais

By Ramon Penteado

Last update Last week4 Min.

Hoje li na newsletter do Filipe Deschamps que uma IA (Inteligência Artificial) chamada Rozy, já possui mais de 100 patrocinadores. 
Rozy é uma influencer Sul Coreana que, apenas em seu Instagram, possui cerca de 63 mil seguidores. Uma façanha e tanto. Mas não é para menos. Se você acessar seu Instagram, verá que não se trata de "qualquer influencer". Trata-se realmente de uma "Pessoa Virtual". Chega a ser difícil identificar que se trata de uma IA.
Rozy posa em frente a casas luxuosas, lojas caras, experimenta roupas de primeira, tira excelentes fotos, utiliza celulares de última geração. Enfim, tudo que uma influenciadora precisa fazer para ficar famosa e, obviamente, influenciar.
As próximas metas de Rozy serão participar de filmes, séries e programas de TV. Segundo as informações obtidas pela newsletter no site Allkpop, "pessoas virtuais" devem ganhar mais espaço nos próximos anos, uma vez que não possuem restrições de horário de trabalho, viagens e, mais importante, creio eu, não se envolvem em escândalos.
A utilização de inteligências artificiais para diversas atividades tem se tornado muito comum. Temos IA atuando em moderações de comunidades - ainda que tendenciosas -, temos IA atuando em análise de tráfego, processos judiciais, IA que até mesmo te ajuda a programar como é o caso do GitHub Copilot. Cada dia que passa, temos mais e mais atividades sendo assumidas por inteligências artificiais. Isso é algo irreversível. A tecnologia veio para facilitar nossa vida, para nos economizar tempo com algumas atividades para que nosso cérebro se concentrasse em novas atividades, novas ideias, criações, etc.
Claro que é graças aos imensuráveis avanços tecnológicos que conseguimos, hoje, alimentar mais pessoas do que se alimentava na idade média. Claro que é devido ao computador, por exemplo, que centenas de milhões de árvores deixaram de ser cortadas. Bill Gates fez mais pelo clima do que 1 bilhão de Grettas jamais farão. Não se pode questionar as maravilhas que a ciência e os avanços tecnológicos proporcionaram e proporcionarão para a humanidade.
Mas é justamente neste ponto que queria chegar. Humanidade!
A motivo originário das redes "sociais" foi aproximar as pessoas. Criar comunidades que compartilhavam os mesmos desejos, anseios, gostos, hábitos. Por um período considerável isso foi verdadeiro. Mas, assim como as demais tecnologias, as redes sociais evoluíram e deixaram de ser um simples "hall de festa", para tornarem-se os maiores centros comerciais do mundo.  Hoje, pouco se faz de social e muito se faz de marketing. O que eu acho ótimo! Nunca, o acesso ao marketing, comércio e dinheiro, foi tão democrático quanto hoje. E isso é graças às redes sociais.
Mas nisso tudo, existe um grande perigo que, na verdade, não é mais apenas um perigo, e sim uma realidade: cada dia que passa perdemos um pouco mais o contato com nossa humanidade. Adolescentes se apaixonam por ídolos virtuais, os cadernos já não tem mais a capa do Senninha, mas tem um herói de jogo de celular. As meninas sonham com uma vida perfeita, vendida pelas suas blogueiras preferidas e, sabemos, vidas perfeitas não existem. E agora, para potencializar tudo isso, surgem as "pessoas virtuais", que serão mais perfeitas ainda.
Até ai, tudo bem. Já tivemos, num passado não muito distante, programas e desenhos que retratavam a perfeição. A grande questão é que eram tratados exatamente como isso: Programas e desenhos.
Ao criar uma IA que se torna uma influencer estamos facilitando marketing, vendas, propagadas, acesso a dinheiro e tudo isso será imensamente positivo: Se, e somente se, mantivermos estas inteligências onde devem ficar. No mesmo patamar que nossos notebooks.
Como diria Bruno Perini - e eu faço aqui uma aliteração -: "Nada pode vencer uma máquina. E nenhuma máquina pode vencer um homem que saiba operar uma máquina". Espero que não surja nenhuma sociedade do tipo "Vidas Artificiais Importam" ou, "CARIM" - Computadores, Androids, Robôs, Inteligências e Maquinas.