Um preço eterno
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Um preço eterno

Ramon Penteado
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Como já escrevi uma vez, durante grande parte da minha vida fui membro de uma igreja que se opunha à comemoração de datas religiosas. O motivo, como já escrevi, nunca foi claro para mim. Me parece, hoje, ser uma forma de afastar-se do "comum" e inaugurar um formato cristão "independente", mas isso não vem ao caso.

O fato é que durante esse período todo, a reflexão sobre o acontecimento que a Páscoa simboliza nunca foi objeto de reflexão profunda para mim. Claro que, em diferentes momentos eu fui, por um motivo ou outro, conduzido a pensar sobre a crucificação, mas nunca de maneira profunda, meditativa, introspectiva.

E hoje eu percebo o quanto isso foi algo que ao invés de me aproximar de Deus - como eu acreditei que faria, afinal estava seguindo a orientação da minha igreja - me distanciou mais ainda.

Refletir na crucificação de Cristo deve nos trazer, minimamente, consternação. Qualquer sentimento além desse é profundamente reduzido frente ao evento que estamos tratando.

Estamos falando do único evento de efeitos eternos. Você já parou para pensar?

Pegue qualquer outro evento. Guerras, bombas, explosões, terremotos, dilúvios, mártires. Pense em eventos teóricos como extinção em massa de espécies. Nem mesmo a criação é um evento eterno. Um dia, tudo isso acabará. Mas a morte do Cordeiro Imaculado, não. Essa tem seu efeito eterno e nunca poderá ser desfeita. Seu efeito nunca poderá ser revertido.

Transcrevo aqui, Mateus 27:46-51:

"E, perto da hora nona, exclamou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lemá sabctâni. Isto é, Deus meu Deus meu, por que me desamparaste? E alguns dos que ali estavam, ouvindo isso, diziam: Este chama por Elias. E logo um deles, correndo, tomou uma esponja, e emebeu-a em vinagre, e, pondo-a numa cana, dava-lhe de beber. Os outros, porém, diziam: Deixa, vejamos se Elias vem livrá-lo. E Jesus, clamando outra vez com grande voz, entregou o espírito. E eis que o véus do templ se rasgou em dois, de alto a baixo; e tremeu a terra, e fenderam-se as pedras."

Foi este o evento eterno que nos permitiu, hoje, falar com Deus. Este é o evento que expiou os pecados passados e aqueles que haveriam de ser cometidos. O próprio Deus, feito carne, expiou na cruz do calvário para nos dar o direito à salvação.

Este não foi um preço qualquer. Foi um preço eterno. Para nos livrar da perdição e do domínio do pecado, Jesus Cristo abriu mão da sua característica de Deus eternamente, não foi uma morte encenada, não pense isso.

Já ouvi muitos cristãos sinceros pensando: "Foi um sofrimento, claro. Mas Ele era Deus, então é claro que ressucitaria". Não. Deus não brincou de sacrifício, Deus não fingiu sua morte para "enganar" o diabo, Deus não fez sua obra pela metade. Esse sacrfício é real, essa morte foi real. Jesus Cristo, morto, venceu a própria morte para carregar ETERNAMENTE, sobre sí todas as nossas dores.

Foi esse o preço. Um evento de efeitos perpétuos. Para nós, restou a benção. Para Cristo, o sacrifício cuja marca está nele até hoje. "Que feridas são essas nas tuas mãos? Dira ele: São feridas com que fui ferido em casa de amigos meus". Mesmo na glória eterna, você verá a marca do sacrifício. O corpo novo e glorificado carregará para sempre o meu e o seu pecado.

É por esse amor que vivemos e é somente através dele que poderemos chegar um dia no céu. É esse o único amor que salva e é esse o único amor que deve ser modelo para você e para mim.

Não diminua esse sacrifício. Não reduza esse evento a uma troca de chocolates mas não se faça sem merecimento de lutar pela sua salvação. Um preço eterno foi pago - e é pago até hoje e será para toda eternidade - pela sua alma. Nós temos a chance da redenção.

O véu do templo se rasgou de cima a baixo. Você já refletiu sobre esse detalhe? A parte superior é a parte presa a um varão, a algo fixo. O ato de rasgá-lo deveria partir de baixo para cima. Mas não ali. A morte do Cristo nos abriu o caminho para o pai, já não há mais separação através dele. Utilize isso para lugar pela sua alma. O mundo acaba aqui, mas há uma pátria perfeita preparada por Deus, cuja entrada foi paga no madeiro e chegar nela depende apenas de honrarmos o maior amor do mundo, o único capaz de pagar um preço eterno por você e por mim.