Assistindo ao jogo do Galão da massa, que perdeu, diga-se de passagem, fui surpreendido por uma propaganda de um grande banco. É mais ou menos assim: “a fulana, nossa assistente virtual, recebe assédio todos os dias... Vejam as frases... Esta...
Assistindo ao jogo do Galão da massa, que perdeu, diga-se de passagem, fui surpreendido por uma propaganda de um grande banco. É mais ou menos assim: “a fulana, nossa assistente virtual, recebe assédio todos os dias... Vejam as frases... Estamos adotando medidas para mudar isso e blá blá blá”.
Isso mesmo. Segundo o bancão, o robô deles está sendo assediado, e, por isso, eles estão adotando medidas para “combater o assédio”.
É, pelo jeito são medidas muito importantes, mesmo. Afinal, gastaram um dinheirão para fazer o comercial no clássico estadual.
Volto já para falar disso. Primeiro vamos falar do mercado e suas “modas”. Segue a prosa.
A nova moda do mercado são as empresas ESG. Uma sigla em inglês para “identificar” as “empresas legais”. Legais de gente boa, mesmo. Tipo, se a empresa planta arvore, tem mais mulher, usa canudo de papel e tem o CEO vegano, enquadra como ESG.
(Ok, a questão do CEO foi exagero... Mas não duvide da criatividade desse povo).
Tempos atrás a moda era o tal do “novo mercado”. É a classificação voltada para governança, transparência e tal. Assunto chato, outro dia falo disso.
O que ambos têm em comum? Ninguém quer ficar fora da panela. Todo mundo quer ser enquadrado como “legalzão”. Então, para fazer parte do “novo mercado”, todo mundo correu para se enquadrar. E agora, a mesma coisa acontece com a classificação ESG. Tem fundos bilionários que só investirão em empresas com tem o selo “cool”. Já entendeu, né?!
E o povo é criativo. Um dia desse, uma gigante do varejo quis “combater o racismo”, criando mais racismo, oferecendo empregos somente para negros em determinado processo seletivo. Agora, o bancão, quer “combater o assédio as mulheres” através do seu robô (assediado).
Parece engraçado. Ninguém assedia um robô. Todo mudo sabe disso. Se alguém o fez, ou tem problema de cabeça ou estava fazendo piada. Em ambos os casos, não merece atenção e muito menos gasto de dinheiro.
Mas é aí que vem o pulo do gato. Ou, jump of the cat, em inglês. O banco não é burro. Ninguém burro faturou mais de 7 BI apenas no primeiro semestre de 2020. Tem muito dinheiro em jogo. Caminhão!
Claro, não posso criticar sem deixar uma sugestão. “Combater assédio” contra robô é fácil. Quero ver parar de cobrar 1,5% de taxa de administração para entregar rentabilidade de CDI. Ou deixar de extorquir os clientes não é ESG?!
Pois é... O tal banco te cobra 1,5% a.a para te entregar 2,75% a.a. Um menos o outro: essa é a rentabilidade que você vai ganhar. Parabéns! Só não te contam que você pode fazer isso SOZINHO, sem ser assaltado!
Por fim quero deixar uma frase de apoio para a “fulana”, assistente virtual: "Cuore a sinistra, portafoglio a destra”.
“O coração é à esquerda... Mas a carteira... É sempre na direita”.
Malaquias.