Ela estava bastante diferente do tronco bruto, mas ainda jovem, que, na oficina de seu pai, Ele talhara, plainara e lixara com maestria. Ainda estava bonita, ainda estava imponente — fizera um trabalho realmente lindo! — mas viera permeada de um sang
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Foto de nito103, em DepositPhotos |
(...)
E então, enfim, eles se reencontraram…
O momento, entretanto, não poderia ser pior;
Mais sombrio ou mais triste,
Mas era esperado que um dia,
Nem cedo de menos
Nem tarde demais,
Ele aconteceria.
(...)
Seu corpo, talhado e moribundo, sangrava e molhava o chão batido de terra onde fora atirado com desprezo.
Perplexo, umedeceu o dedo ali, numa das manchas de sangue ao seu lado.
Sentiu-lhe a estranha viscosidade.
Provou-lhe o sabor.
Tudo parecia tão novo e assustador, como, de fato, era.
Procurava fôlego, mas o menor deles, que lhe teimasse a vida, lancinava o peito.
Finalmente, a dor.
Falta o abandono.
Àquela altura, não encontrava mais lágrimas que pudesse chorar.
Havia tumulto por toda a parte e Ele podia ouvir, longe e perto, gracejos, motejos, blasfêmias.
“Santo Deus, como ousavam dizer coisas como aquelas?”
Mesmo não podendo vê-los, sabia quem era cada um deles.
Voz por voz.
Uma a uma.
Ouviu uma delas chamar-lhe e, num esforço hercúleo, levantou a cabeça…
Mas um pontapé lateral o fez tombar novamente.
Ecos gargalhavam no ar…
A cabeça doía tanto que mal podia abrir os olhos.
Quando, de repente…
TUM!
Um baque surdo.
Perto.
Bem perto.
Olhou e viu a trave fria e avelhantada ao seu lado.
Ela estava bastante diferente do tronco bruto, mas ainda jovem, que, na oficina de seu pai, Ele talhara, plainara e lixara com maestria.
Ainda bonita, ainda imponente — Ele fizera nela um trabalho realmente lindo! — mas agora estava encharcada de um sangue que não era o seu.
E um cheiro forte de morte dela recendia.
Colocaram-no sobre ela e ela sobre Ele, e sentiu-a mais pesada dessa vez.
Ele não se lembrava de ter conhecido nela, enquanto obra de seu entalhe, aquele peso estranho.
De braços e mãos atados fortemente à viga gelada, Ele agora a olhava intimamente e, feito um mórbido romance, sorrindo, balbuciou-lhe baixinho:
– “Oi, minha sementinha!”
Ela, porém, não respondeu.
(...)