Sua sementinha estava bem diferente. Mas Ele também. Ela não se parecia mais com aquele grão diminuto e frágil Nem Ele era mais tão forte.
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Foto de DenisSmile, em DepositPhotos |
Sua sementinha estava bem diferente.
Mas Ele também.
Ela não se parecia mais com aquele grão diminuto e frágil
Nem Ele era mais tão forte.
Ironicamente, era ela a sustentá-lo agora,
E o indefeso era Ele.
O broto que Ele cultivou por anos,
E que virou planta,
E que virou flor,
Virou espinho.
O galho forte em que se pendeu criança,
Sim, novamente lhe pendia.
Mas a sombra prazenteira de antanho
Se tornaram em trevas que não têm tamanho.
O sol que Ele criara se foi.
Mas o sol era só mais um:
— “Eli, Eli! Lamá, Sabactâni?”
Todos — sem exceção agora — o tinham abandonado.
Olhou de lado à sua sementinha-cruz.
Lembrou-se dela,
Árvore,
Infecunda,
Infeliz,
Vergonha que Ele agora também conhecia.
— “Não chores, minha sementinha...”
Ela, porém, não respondeu.
— “Nunca foste infértil...”
Ela, porém, não respondeu.
— “Teu fruto era temporão...”
Ela, porém, não respondeu.
— “Sou Eu!”
E ouviu-se no céu um trovão.