“Que sorriso é esse, atrevido, no meu rosto? Que rosto é esse refletido em meu espelho?”
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Foto de Drigo Diniz no Pexels |
Sim, eu também...
Eu também já sonhei com montanhas tão altas que os olhos – senão d'alma – jamais alcançariam
De cujos topos caiados as estrelas entram em erupção
Toda noite como se luz do dia.
Sim, e eu também as subia
E lá de cima eu via
Ali, aliás, o além e como se confundia
Num horizonte tíbio.
Gradiente e impreciso
Entre um mar e o marrom
Que cada vez mais é menos
Até ser outra coisa.
Sim, eu também gritei e minha voz se fez um eco surdo e fugidio deslizando por planícies estias,
Sem encontrar-lhe desafios,
Senão os que o tempo impõe
E tais
Que se perde a força,
Que se perde o grito
E desvanece aflito,
Breve, um sussurrar
(cujo som eu sequer reconheceria outra vez se tivesse a chance)
Sim, eu também...
Eu também me desconheço.
Trago no corpo marcas de dores que não senti
Posto que não m'as feririam ou lembro.
Cicatrizes nas mãos, nos pés, no peito
E uma fronte talhada:
“Que sorriso é esse, atrevido, no meu rosto?
Que rosto é esse refletido em meu espelho?”
Sim, eu também sou menino...
Sou metade de mim partida ao meio
Num quarto vão, vazio, triste, sujo, escuro e frio.
Sou cantor de cabarés
E rodopio
Eu sou poeta!
Um bom poeta em poetize é como o vinho
Que traz consigo uma tristeza em fantasia
Disfarçada de um sorriso
E eu sorrio.