Lula. Isenção de impostos. Obras do Bolsonaro. Rombo nas contas públicas. Dólar. Real. Bolsa de valores.
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Lula. Isenção de impostos. Obras do Bolsonaro. Rombo nas contas públicas. Dólar. Real. Bolsa de valores.

Sergio Ricardo
4 min
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Li, e não com muita atenção, reconheço, reportagens acerca destes e daqueles episódios dos primeiros atos do governo do tal "L". Pode-se me reprovar a negligência que dediquei à leitura das reportagens, que não citei, que li, nesta semana, neste e naquele site, neste e naquele jornal, nesta e naquela revista?! Sim. E não. Sim, porque, se me dispus a lê-las, que eu lhes dedicasse atenção. E não, porque elas não merecem atenção, pois tem, unica e exclusivamente, mais do mesmo, e não sei se as informações que trazem em seu corpo procedem, ou não - foi-se o tempo, e há muito tempo, que eu acreditava na imprensa.

Li, digo, além do título, e do substítulo daquelas reportagens que a possuem, o primeiro parágrafo, de umas, de outras, o primeiro e o segundo, e de outras um pouco mais, o suficiente para eu perceber que há, nelas, muita baboseira, muita abobrinha, muito diz-que-diz, tautologia das brabas, e, não raro, mentira das grossas, e muitas das informações dadas a público o foram para, suponho, se observar a reação do público, para ludibriá-lo, para envolvê-lo com questões desimportantes, desviando-o do que realmente importa.

Deixo de lado as minhas suspeitas, que não sei se justificadas ou não, e trato, aqui, em poucas linhas, de três pontos que estão na boca do povo: 1) isenção de impostos sobre combustíveis; 2) Rombo nas contas públicas que o governo Lula herdou do governo Bolsonaro; e, 3) obras inacabadas, que o governo Lula irá seguir a construir, do governo Bolsonaro.

Em respeito ao raciocínio de gente que apóia o governo Lula, de esquerda (assim o classifico, para simplificar o enredo): 1) os impostos os governos os cobram às pessoas com um objetivo: o de investi-los em programas sociais. Ora, se o governo Lula prorroga a isenção de impostos, não os recolhendo aos cofres públicos, portanto, então não é o governo socialmente responsável, não tem o governo compromisso com a justiça social.

Quanto ao 2) Se procede a afirmação, então tem o governo Lula de apertar os cintos, reduzir despesas públicas, queimar gordura, fazer bom uso do dinheiro público; e anunciar políticas que seduzam os investidores. Mas o que se viu desde o dia 1 desta era alvissareira?! Ministros batendo cabeça; mais de trinta ministérios, e ministros "daqueles".

Fundindo os pontos 1 e 2: não seriam demagogia a prorrogação da isenção de impostos sobre os combustíveis e a distribuição de bolsas familiares de R$ 600,00?!

E chegamos ao 3): Anuncia-se que o governo Lula planeja concluir obras inacabadas, dentre elas as iniciadas no governo Bolsonaro. Pode-se, neste caso, reprovar o Lula, que estaria, é a conclusão óbvia, concluindo obras do Bolsonaro, e não as suas?! Não estão distantes os dias em que se disse do Bolsonaro que ele é incompetente, e coisa e tal, porque concluiu obras do Lula. Tal raciocínio conserva-se válido, agora, com os dois principais personagens em papéis trocados?!

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Enquanto eu digitava as palavras que estão nas linhas acima, aflorou-me à mente um quarto e um quinto pontos, deveras interessantes: 4) Em início de 2.022, estava a economia brasileira a dar sinais de que tudo iria para o brejo: Dólar em alta, Real em baixa, e Bolsa em queda. E era o culpado, ele, Bolsonaro. Neste início de 2.023, estamos a ver Dólar em alta, Real em baixa, e Bolsa em queda. E é o culpado, ele, o Mercado, que é histérico, constrangedoramente sensível. E é o 5) Dada a valorização do Dólar, a desvalorização do Real, e a queda da Bolsa, e a fuga de capitais, os apoiadores do Lula, ao anúncio da crise que se instalou, culpam os especuladores. Ora, mas os esquerdistas não vêem nos especuladores, no capital especulativo, no capital financeiro, o Grande Capital, o tão malfadado Grande Capital?! E para eles o Grande Capital é o mal encarnado, e querem dele distância - é o que se pensa. Por que, então, esbravejam?! Percebem que a fuga do Grande Capital; que a má-vontade dele em investir no Brasil resulta em crise, e pedem que ele permaneça, aqui, em terras brasileiras, a investir nas empresas nacionais?! Não é tal postura um contrassenso?!

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As linhas que estão acima desta e esta e as que estão desta abaixo eu as anotei, num rompante, assim que as palavras - inspiradas nas idéias que me tangenciaram a cabeça cabeluda de poucos cabelos - que as preenchem me vieram à mente ao evocar as reportagens que li. São pensamentos a esmo, que estão, ninguém há de negar, num tom um tanto quanto provocativo. E em todo o argumento exposto considera-se, percebe-se, o ponto de vista de esquerdistas, de lulistas, e que este ponto fique bem visível aos olhos de quem me lê.