Com o passar dos anos, passei a acumular mais livros do que meu ritmo de leitura conseguia acompanhar (maldito botão “compre com um clique” da Amazon). Virou uma espécie de hobbie colecionar leituras dos mais diversos assuntos. Resultado: uma estante com mais de 400 livros, sendo que boa parte está intocada até hoje.
Até pouco tempo me sentia muito mal com isso. Não só pelo fato de gastar dinheiro de forma quase que irrestrita com livros, como também pela ansiedade que a quantidade de e exemplares parados na estante me gerava. Entretanto, a medida que fui compreendendo o hábito de acumular livros por outra perspectiva, me senti mais confortável e continuei adquirindo e lendo cada vez mais.
Uma passagem do livro de Nassim Taleb, A Lógica do Cisne Negro, ajudou muito a mudar a maneira de pensar sobre o assunto, quando ele comenta sobre a biblioteca de Umberto Eco, ou melhor, sua antibiblioteca:
“Ele é dono de uma vasta biblioteca pessoal (que contém cerca de 30 mil livros) e divide os visitantes em duas categorias: os que reagem com: “Uau! Signore professore dottore Eco, que biblioteca o senhor tem! Quantos desses livros o senhor já leu?”, e os outros — uma minoria muito pequena —, que entendem que uma biblioteca particular não é um apêndice para elevar o próprio ego, e sim uma ferramenta de pesquisa.
Livros lidos são muito menos valiosos que os não lidos. A biblioteca deve conter tanto das coisas que você não sabe quanto seus recursos financeiros, taxas hipotecárias e o atualmente restrito mercado de imóveis lhe permitam colocar nela.
Você acumulará mais conhecimento e mais livros à medida que for envelhecendo, e o número crescente de livros não lidos nas prateleiras olhará para você ameaçadoramente. Na verdade, quanto mais você souber, maiores serão as pilhas de livros não lidos. Vamos chamar essa coleção de livros não lidos de antibiblioteca.”
Passei a olhar por uma nova ótica aquela estante de livros.
O que antes era um incômodo ao ego que causava enorme angústia e ansiedade paralisantes, tornou-se um grande lembrete de tudo aquilo que ainda não sei. A pilha de livros representa, cada dia mais, um mundo de novos conhecimentos, oportunidades e evolução.