As pedras nos ensinam
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As pedras nos ensinam

Thiago Cherem
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Marco Aurélio, o último dos cinco bons imperadores de Roma, acreditava que os homens - fossem eles imperadores ou soldados - eram como pedras. Jogue a pedra para cima , dizia ele, e ela não perderá nada ao cair, muito menos ganhará ao subir. A pedra permanece a mesma.

Simples, e ao mesmo tempo complexa. Essa reflexão estoica é imensamente importante para nos definir enquanto pessoas. Independentemente do que bater a nossa porta, seja o sucesso ou o fracasso, ainda seremos os mesmos em essência e em nossos valores. Não importa se começamos o dia ganhando na loteria e terminamos pedindo falência. Isso acontece fora de nós e não nos define. Ainda somos a mesma pedra.

Muitas vezes possuiremos coisas e seremos tratados de tal forma, não pela pessoa que verdadeiramente somos, e sim pelo cargo ou posição que representamos. Você não é merecedor de algo, mas pode estar merecedor em determinado momento. É preciso entender que o que nos define vem de dentro, pois durante a nossa curta passagem pela vida, é isso que vamos levar dela. Não é uma ideia romântica acerca da nossa história, mas aquilo que a filosofia estoica chama de sympatheia - um sentimento oceânico, um ponto frágil na imensidão. Uma insignificância assustadora no meio de um universo infinito. Só isso já deveria ser suficiente para entendermos que não somos melhores ou piores do que outrem. A priori, estamos todos no mesmo barco.

Muitos homens e mulheres se perdem no meio do caminho quando conquistam posições de poder. Deixam o materialismo e a soberba tomarem conta da sua visão de mundo e colocam-se acima das outras pessoas como se suas almas valessem mais. Como disse Abraham Lincoln: “Para testar o caráter de um homem, dê-lhe poder”.

Praticar a humildade é muito difícil para a maioria dos homens. É o inverso da arrogância.

Quando paro para refletir sobre a minha existência e todos os aspectos sociais que levam ao corrompimento do ser humano enquanto ser social, chego a conclusão que - tomando emprestada a passagem de Charles Bukowski - “vivemos em um grande circo… Somos consumidos pelo nada”.

No fim do dia, depois de todos os altos e baixos, momentos bons e ruins, ainda seremos a mesma pedra.