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Guillaume de Machaut, o nome da Ars Nova

By Gesiel

Last update 2 months ago3 Min.

O movimento musical conhecido como Ars Nova, Arte Nova, vem em contraste com a Ars Antiqua, Arte Antiga, e ganhou este nome do poeta francês Philippe de Vitry. Embora a música tenha ganhado maior flexibilidade rítmica, e a polifonia, o contraponto, começa a se desembaraçar, ela ainda apresenta terminações fraseológicas com acordes incompletos, formados apenas de quintas, quartas e oitavas.Digite ou cole seu texto bem aqui.
Vitry expressou muito bem a Ars Nova, mas quem a levou ao seu apogeu foi o francês da região de Champaign: Guillaume de Machaut.
Não se sabe ao certo o local e o ano de seu nascimento, mas provavelmente foi na cidade de Machaut por volta de 1300.
Devido a sua reputação, de excelente poeta e músico, foi contratado ainda jovempor João de Luxemburgo, rei da Boêmia, de quem recebeu ordens sagradas servindo como capelão e secretário pessoal do rei, acompanhando este em suas inúmeras viagens pela Europa.
Em 1330 ganha o “status de cânone” simbolizando a sua importância para a igreja, mas isto lhe trouxe obrigações, impostas pelo papa Bento XII, entre elas a de se fixar na igreja de onde advinha o título.
Devido a este fato, em 1340 desliga-se então do rei João, mudando-se para a cidade de Reims, onde passaria o resto de sua vida, mas nunca deixando a lealdade com a casa real.
É neste período que Machaut intensifica a sua produção musical em detrimento ao seu principal ofício artístico, a composição de poesias e crônicas, e, embora apareçam em muitas peças de sua autoria frases estruturadas em quartas e quintas paralelas, já começa a aparecer em sua obra o pensamento da harmonia como a conhecemos, com vozes em terças e sextas.
Com a morte do rei João de Luxemburgo, em 1346, sua filha, Bonne, assume o trono e passa a ser a “patrona” de Machaut, tornando possível a publicação do primeiro volume da compilação de suas obras.
Em 1349, morre a rainha Bonne, filha de João, e Machaut passa a ser patrocinado pelo rei Carlos II de Navarra. É neste período que, com o intuito de apresentar Carlos II, ele escreve um de seus maiores poemas narrativos, “O Julgamento do Rei de Navarra”, poema este, que é considerado um dos mais preciosos documentos descritivos sobre a “peste negra”.
Nos últimos anos de sua vida, sua fama era tamanha que várias figuras importantes patrocinavam o seu trabalho, tornando possível a ele declinar-se, entre os anos de 1363 e 1365, na redação do seu maior trabalho puramente narrativo: Voir Dit.
Sua obra musical divide-se em peças profanas e sacras, destacando-se entre as profanas os estilos de composições conhecidas hoje como canções, virilai cantilenasballades, e roundeau. As baladas de Machaut são os primeiros exemplos existentes deste gênero, tornando provável que, se Machaut inventou ou não a forma, ele fez muito para encaminhá-la.  
Nas sacras a sua principal obra é “A missa de Notre Dame”.
A composição mais famosa do século XIV, consiste em um arranjo a 4 vozes, e sua importância deve-se, em parte, por ser a primeira missa idealizada como uma única peça, composta por uma única pessoa e tendo ligação musical entre as partes.
O final da “Missa de Notre Dame” é trabalhado como um moteto, ou seja, a 3 vozes, fazendo uso exagerado da isorritmia, Machaut dominava com perfeição esse estilo de composição musical onde é escolhido uma voz tenor para manter o canto, conhecido como cantus firmus, e as outras vozes trabalham livremente a harmonia, em melodias melismáticas com ritmos repetitivos acima e abaixo do cantus firmus. Veja uma análise da Missa de Notre Dame na matéria  "A Isorritmia na Obra de Machaut".
O título, aliás, refere-se não a Notre Dame, em Paris, mas a grande catedral de Reims, o lugar de coroação dos reis da França e onde Machaut foi enterrado em 1377, tendo passado os últimos anos de sua vida na supervisão da compilação de sua obra. 
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Veja mais sobre o início da polifonia em "O Surgimento e os Primeiros Desenvolvimentos da Polifonia", e sobre a vida e obra do mestre do contraponto "Bach e os Concertos de Brandenburgo"
Referências: